Foco na docência e currículo nacional mínimo

08/01/2014 - O que se observa com frequência são discussões para incrementar mais recursos, principalmente os financeiros, para a educação. Pouco se percebe na mídia sobre o mérito e o conteúdo programático dos currículos no ensino fundamental, médio e universitário. O mercado sempre se pronuncia alegando a falta de profissionais para atuarem nos seus diversos segmentos, principalmente na área tecnológica. Adicionalmente, reclamam do analfabetismo funcional, fruto do desmantelo e ausência de rumo do sistema educacional como um todo. As diretrizes curriculares nacionais não definem o que deve ser ensinado. Tudo está muito aberto e as responsabilidades recaem sobre os professores. Também não é recomendável fazer o que é realizado em Cuba, onde o governo define e especifica em detalhes o quê e como se deve ensinar em cada uma das disciplinas. Bom esclarecer que o Chile, em termos de orientação macro estratégica para a educação, deixa pouca coisa para a escola criar. A Finlândia é apontada como o país que mais outorga autonomia a seus professores e escolas. Lá tudo é muito bem especificado e o currículo nacional finlandês estabelece o que é considerado um desempenho adequado no final de cada ano, em cada disciplina. Há 20 anos a Finlândia especificava muito mais o currículo nacional e de forma central, o que gerava menos autonomia aos professores. Em função de diversas discussões, o país decidiu que queria investir na construção da autonomia docente e passou a realizá-la progressivamente, aumentando o rigor e a qualidade dos cursos de formação inicial de professores e, simultaneamente, diminuindo a especificação curricular e colocando a avaliação na mão do docente. Hoje, para ser professor na Finlândia é necessário um curso de nove mil horas, com sete anos de duração, sendo que um terço delas corresponde a uma espécie de residência pedagógica. No caso brasileiro o currículo nacional de educação é pouco especificado e os professores são mal formados. Atualmente, 30% dos matriculados em cursos de formação de professores realizam atividades exclusivamente por meio de ensino à distância. Assim, esperar que professores com pouco domínio de conteúdo possam definir e ensinar conteúdos com autonomia total é devaneio. O Brasil poderia se aproximar de modelos de países como Finlândia, Nova Zelândia e Austrália. Esses países especificam seus currículos nacionais sobre o que ensinar, mas deixam margem à flexibilização e permitem a diversidade de métodos e caminhos. Afonso Farias Júnior afonsofariasjunior@gmail.com Professor e administrador
Fonte: O Povo Online - Fortaleza/CE


Comentários da notícia