O que esperar da educação no DF em 2014 ?

07/01/2014 - O tema da educação desfilou pelas páginas do Correio no balanço final de 2013 no Distrito Federal. O governador Agnelo Queiroz e o secretário de Educação do DF apresentaram o que está sendo feito e o que será feito no último ano de mandato. E, claro, os partidos — em particular, PT e PDT — cobraram generosidade um do outro na aurora de 2014. Mas, de fato, o que podemos esperar na área de educação? Fernando de Azevedo, fundador da Universidade de São Paulo (USP) e artífice, com Anísio Teixeira, do Manifesto dos Pioneiros, de 1932, que invocou uma nova educação para o país, costumava dizer que “o problema educacional brasileiro é substantivamente econômico e adjetivamente educacional”. Desse mal, o Distrito Federal não sofre. É a unidade da Federação que tem o maior orçamento per capita, a maior disponibilidade de recursos por estudante da educação básica, paga o melhor salário entre os mais de 2 milhões de professores do Brasil, tem proporcionalmente a menor jornada em sala de aula dos professores e a maior dos alunos, e tem o menor território do Brasil, quatro vezes menor que Sergipe. Isso quer dizer que, se pudéssemos elevar em alguns metros o novo Planetário, suas lentes enxergariam com precisão o que se passa em cada uma das suas 650 escolas. Diria que falhamos aqui no adjetivo. Numa rede tão pequena — num raio de distância que se percorre a pé, de bicicleta ou a cavalo —, por que a educação do DF está aquém de suas potencialidades? Anísio Teixeira, quando convocado por Juscelino Kubitschek, apresentou seu plano de educação para a nova capital e sentenciou: “O Plano de Construções Escolares para Brasília obedeceu ao propósito de abrir oportunidade para a capital federal oferecer à nação um conjunto de escolas que pudessem constituir exemplo e demonstração para o sistema educacional do país”. Deveríamos ter aqui, na visão apregoada por Anísio, um verdadeiro laboratório da educação. Mas falhamos. E parece-nos que não acordamos ainda para o fato. As melhores formulações em termos de políticas educacionais estão vindas de estados com limitadas capacidades financeiras, mas que se tornaram promotores de boas iniciativas, como o Ceará — em particular, Sobral, de onde saiu o Plano de Alfabetização na Idade Certa, adotado em todo o Brasil e pelo qual todas as escolas do município já atingiram o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) esperado para 2020. Quando olhamos os indicadores educacionais de Brasília à luz dos seus recursos, a diferença é abissal. Durante muito tempo, não se deu atenção para a avaliação. Há uma crítica generalizada de que a avaliação em larga escala não avalia. É fato. Mas Brasília já poderia ter desenvolvido um sistema de avaliação da educação básica que pondere o desempenho dos alunos com as condições infraestruturais nos moldes do que hoje se adota no ensino superior e na proposta a ser apresentada na Conferência Nacional de Educação de 2014, no seu eixo 4, no mês que vem, em Brasília. Nem mesmo o desempenho surpreendente que tivemos em matemática no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) nos moveu a entender por que nos diferenciamos dos demais e como podemos fazer para melhorar nas outras disciplinas. Em qualquer projeto, os fins são sempre os primeiros a serem pensados. Somente depois é que pensamos nos meios. Em educação, no DF, é o contrário. Primeiro pensamos nas obras, para depois pensarmos no que vamos fazer. Está sendo dessa forma com a expansão da educação infantil e assim será com o projeto das cidades educadoras anunciado pelo secretário de Educação. Ora, Brasília já nasceu educadora, pensada pelo maior educador que este país já teve: Anísio Teixeira. E, convenhamos, não deveríamos nos contentar em ter Brazlândia apenas com esse título. Deveríamos ousar e nos concentrar em Ceilândia, onde está a maior rede, onde vive 1/5 da população e a taxa de crescimento anual de acesso à educação mais cresce — é quase o dobro da verificada no Distrito Federal. Não é a toa que as principais faculdades privadas abriram unidades lá nos últimos anos. Diria que, enquanto não tivermos um Plano Distrital de Educação, ficaremos à mercê de iniciativas pontuais. Na cobrança que se fizeram mutuamente os líderes partidários, do PT e do PDT, por meio dos jornais, neste início de 2014, adjetivamente estava presente o tema da educação. Foi ela quem os aproximou e os distanciou. A generosidade cobrada por ambos poderia ser transferida para o efetivo legado que deixarão para a cidade nos próximos anos. Autor(es): REMI CASTIONI
Fonte: Correio Braziliense


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