Patrono de escola doa R$ 80 mil para premiar melhores alunos

02/01/2014 - Tímida e dedicada, Marina Tavares de Souza, 17 anos, estudou desde a 5ª série na escola estadual Anísio José Moreira, em Mirassol. Considerada uma menina de “ouro”, pelos professores e funcionários da escola, a aluna demostrou durante o período escolar o empenho que tinha para aprender, crescer e ser alguém na vida. Entre a dedicação com os estudos e a paciência de ajudar os colegas de sala, a menina, de cabelos pretos e voz mansa, começou a trabalhar para ajudar na renda da família. No mês passado, quando ela concluiu o 3º ano do ensino médio, a estudante teve todo o esforço reconhecido pela escola e ganhou uma medalha de ouro, por meio do prêmio “Modesto José Moreira”, instituído pelo patrono da escola Anísio José Moreira. “Não dá para acreditar. Fiquei muito surpresa com a conquista da medalha, já que na minha sala tinha ótimos alunos e com toda certeza a disputa estava bem acirrada”, disse Marina. Mas se engana quem pensa que o prêmio subiu à cabeça da ganhadora. De uma personalidade humilde e simples, Marina já tem um plano traçado para a vida dela. “Vou fazer um curso de pedagogia para não ficar sem estudar. Até porque, essa profissão é muito bonita e se não fosse meus professores, não teria o conhecimento que tenho. Mas, quero mesmo é trabalhar na Polícia Científica, no cargo de perícia”, destaca a mirassolense. Tudo em testamento Marina é a décima ganhadora da medalha. O título consta no testamento de Anísio José Moreira, que doou 250 ações da antiga Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), em 1957, para confecção das medalhas de ouro e promoção do prêmio. Na época, o valor nominal das ações era de CR$ 200 (duzentos cruzeiros). Em 2004, quando o primeiro prêmio foi entregue, o valor atualizado era de R$ 81.556,20. A escola é a única da região em entregar um prêmio desses moldes para um estudante. A cada ano, um aluno é escolhido pela direção e professores. Para concorrer a medalha, o candidato deve ter cursado os três anos do ensino médio na escola, não ter reprovado ou ter ficado de recuperação, apresentar boas notas e o número baixo de faltas. Todos esses critérios foram estabelecidos por Anísio José Moreira no testamento dele. Além da medalha de ouro, o escolhido ganha um diploma de honra ao mérito e um livro com a biografia de Modesto José Moreira. A escola não revelou o valor e a quantidade de ouro que leva a medalha. Para a diretora da escola, Maria Edna Cristal, o prêmio é um aliado para estimular o aluno. “Você repara que eles se dedicam. Acaba virando um objeto de desejo e quem sai ganhando com isso são os próprios estudantes. A cada ano, a disputa tem ficado bem acirrada”, destaca a diretora. Outros estudantes de ouro A primeira medalha entregue para um aluno foi em 2004, cinco anos depois que o dinheiro das ações foram liberadas para a escola. Ao longo desse período, além de Marina, outros nove estudantes também foram merecedores do prêmio “Modesto José Moreira”. Lucas Marques, 23 anos, foi um deles. Ele ganhou a medalha em 2007. Hoje, ele é formado em física pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e cursa mestrado na Universidade de São Paulo (USP). “No primeiro ano do ensino médio a direção falou sobre o prêmio. Sempre me dediquei aos estudos e conquistar a medalha aconteceu gradativamente e naturalmente. Nunca escutei que outra escola incentivasse os alunos assim.” Lariane Casagrande, 22 anos, também foi outra menina de ouro de Anísio. Ela ganhou o prêmio em 2008. Atualmente ela faz curso de design na Universidade Rider, em Lawrence Township, nos Estados Unidos, por meio do projeto “Ciências Sem Fronteira”, do governo federal. Antes fazia faculdade na Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná. O pai de Lariane é professor da escola, Sílvio Aparecido Casagrande destaca que a filha sempre teve como objetivo ganhar a medalha. “Minhas duas filhas estudaram no Anísio José Moreira. Elas são exemplos de que a educação na rede pública também tem qualidade. Lariane, por exemplo, está fazendo o curso que sempre quis e em uma das melhores universidades. Isso é resultado da dedicação dos professores e da escola também.” Prêmio de pai para filho Anísio José Moreira abdicou da carreira de médico para investir na política na primeira metade do século 20. Ele chegou a ser deputado estadual e federal, além de prefeito de Mirassol. Preocupado com o futuro do ensino público da cidade, ele deixou em testamento parte das ações da Fepasa em nome da escola estadual. O patrono morreu vítima de um acidente aéreo em 23 de outubro de 1958. O prêmio carrega o nome do pai dele, Modesto José Moreira, que também desenvolveu papeis importantes para a cidade. Ele foi o primeiro juiz de paz de Mirassol, em 1920, vice-prefeito, em 1926, prefeito, em 1927, presidente da Câmara, em 1928, presidente do Conselho Municipal da Prefeitura, em 1932. Agora é em horário integral O ano de 2014 será cheio de mudanças para a escola Anísio José Moreira. Isso porque ela será a primeira escola estadual, das 32 que integram a Diretoria de Ensino de José Bonifácio, a funcionar em período integral. Até ano passado, a escola atendia 900 alunos, da 5ª série do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. Com a mudança, a unidade atenderá 639 alunos. Para essa nova fase, a estrutura da escola está passando por reformas. A cozinha foi reestruturada, dois laboratórios estão sendo construídos, além da sala de leitura e a de multiuso. “Nosso objetivo é que o aluno passe a ser o protagonista do conhecimento dele, oferecendo recursos para que ele possa buscar mais informações”, disse Maria Edna Cristal, que está há um ano na direção da escola.
Fonte: Diario Web - São José do Rio Preto/SP


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