Compras on-line, facilidade com alto risco

06/01/2014 - O cliente não pode se esquecer de que, diferentemente das agências de viagem físicas, as virtuais somente oferecem pacotes fechados. Deve, entre outros cuidados, ficar alerta se o site cumpre as exigências de segurança impostas pelas regras do comércio eletrônico A possibilidade de montar um roteiro de viagem e adquiri-lo sem sair de casa tem atraído cada dia mais o consumidor brasileiro, que fez da internet um importante canal de compras. Embora não haja um recorte específico de pacotes comprados em agências on-line, a última Pesquisa Anual de Conjuntura Econômica do Turismo, da Fundação Getulio Vargas e do Ministério do Turismo, mostra que as vendas virtuais têm impulsionado o setor de agências e participa com 21,9% a mais de faturamento do segmento. Mas a facilidade do cliente em fechar um pacote sem sair da frente do computador deve ser acompanhada de certos cuidados para que a viagem não se transforme em um tormento. A primeira medida é evitar a compra por impulso, muito comum entre internautas. Seduzido pelo preço atraente e pela possibilidade de a oferta acabar, o consumidor compra sem tomar as precauções necessárias. Antes de adquirir o pacote de viagem, é preciso pesquisar a idoneidade da empresa e verificar se ela integra o Cadastro dos Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo. É necessário ler os termos e condições do pacote, como datas disponíveis, reembolso e cancelamento. “Outra dica é entrar nas páginas virtuais dos hotéis e serviços oferecidos pelo pacote. Nos sites, o consumidor poderá ver se o que está sendo oferecido atende a expectativa”, orienta Carlos Alberto Vieira, presidente da Agência Brasileira de Agências de Viagens no Distrito Federal (Abav-DF). Carlos Alberto lembra que, na compra pela internet, o consumidor não terá um pacote personalizado. A loja virtual oferece ao cliente uma proposta fechada, sem espaço para arranjos que atendam os detalhes desejados pelo comprador. “Na agência física, existe a questão do atendimento, o que não tem na internet. O cliente compra pela internet, ele não é atendido”, afirma. Segurança Depois que o consumidor fizer a opção por determinada agência on-line, ele precisa ficar atento a outros itens, como às exigências estabelecidas pelo Decreto nº 7.962/2013, que regulamentou o comércio eletrônico. A norma determina que o site apresente o Cadastro Nacional Pessoa Jurídica (CNPJ), endereço físico e canais de atendimento. Observadas essas informações, o consumidor precisa checar a segurança da página virtual, para evitar fraudes bancárias, como a clonagem de dados do cartão de crédito. “Na hora em que o cliente for colocar os dados bancários, ele precisa checar se, naquele espaço onde fica o endereço on-line, tem um cadeado verde. Ele é a segurança de que o site é da empresa que diz ser e não de uma terceira pessoa”, explica Carlos Botelho, coordenador de um site especializado em compras on-line. Algumas páginas são certificadas ainda por empresas que garantem a segurança nas transações bancárias. Basta o internauta clicar no ícone da certificadora para ver a segurança daquela página. A apresentadora Raquel Gale, 46 anos, teve um cartão clonado ao comprar passagens aéreas pela internet. “Quem clonou o cartão também comprou passagens. A sorte foi que recebi um torpedo da operadora do cartão avisando da compra. Na hora entrei em contato com a agência virtual e com o banco e tive o valor estornado”, conta. Após esse episódio, ela instituiu algumas regras para a compra na internet. Ela pesquisa os sites com amigos e em páginas de reclamações on-line. Além disso, Raquel lê a política de alteração, de cancelamento e de reembolso. “Gosto das vantagens da internet, como o preço e a comodidade. Poder programar tudo antes é muito bom. Fui com a minha família passar o ano-novo em Londres e Paris e comprei os tíquetes da viagem de trem, dos passeios”, comenta. "Na hora em que o cliente for colocar os dados bancários, ele precisa checar se, naquele espaço onde fica o endereço on-line, tem um cadeado verde. Ele é a segurança de que o site é da empresa ” Carlos Botelho, coordenador de um site especializado em compras on-line O que diz a lei Regras atuais para o comércio eletrônico (Decreto nº 7.962/2013) De acordo com o Decreto nº 7.962/2013, a empresa deve fornecer ao comprador nome empresarial, CNPJ, endereço e outras informações sobre o estabelecimento virtual, prazo de entrega e seguro, além das modalidades de pagamento — forma e prazo para entrega. É necessário mostrar um resumo do contrato antes de qualquer compra, confirmar o recebimento da aceitação do produto ou serviço e divulgar o SAC em meio eletrônico para resolver demandas. A empresa precisa dar informação clara e meios adequados e eficazes para a realização do direito de arrependimento, que pode ser efetuado em sete dias. No caso de páginas de compras coletivas, a quantidade mínima de consumidores para efetivar o contrato e o prazo de utilização da oferta têm que ser divulgados. Autor(es): FLÁVIA MAIA
Fonte: Correio Braziliense


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