Qual é a melhor universidade ? Critérios !

06/01/2014 - O grande educador Zeferino Vaz dizia: uma universidade se faz primeiro com professores, em seguida com equipamentos e instrumentos; apenas depois nos preocupemos com belos prédios. A mídia diuturnamente nos bombardeia com propagandas sobre a “melhor” universidade, ou a “maior” do País ou com conceito “X” no MEC. A quantidade de inserções publicitárias rivaliza numericamente com as das Casas Bahia, reclames de cervejas ou de carros. A “melhor” universidade pega o critério em que saiu-se melhor e diz isso dissimuladamente! A “maior” em número de alunos, não em qualidade, divulga a todos que é a primeira do país. Uma diz que seu conceito é X e o utiliza como convém, sem informar quais os extremos deste conceito! O Conar ou Conselho Nacional de Autorregulamentação de propagandas, que regulamenta a ética na publicidade, deveria ver isto com mais rigor. Quem regula, normatiza e avalia a educação oficialmente é o MEC e ponto! Jornal pode “rufar” os tambores e criar seu índice, revistas masculinas podem classificar faculdades e dirigentes universitários até podem se recusar a ser avaliados. Mas de nada adianta: quem avalia oficialmente é o Ministério da Educação e o conceito recebido por cada faculdade e universidade recebe o nome de IGC ou Índice Geral de Cursos. Na avaliação, primeiro se atribui a nota chamada de CPC ou Conceito Preliminar do Curso, que assim se obtém: 1) A cada período, as faculdades e universidades recebem visitas de avaliadores que examinam a estrutura física, os equipamentos, laboratórios e a organização didática: isto vale 15% da nota do CPC. 2) Checam-se as informações fornecidas ao ministério e avaliam os professores que, no mínimo, devem ser 15% de doutores e 7,5% de mestres. Dos professores, 7,5% devem trabalhar em regime de dedicação integral. O corpo docente corresponde a 30% do CPC. 3) Avaliam-se os alunos em curso e os concluintes pelo Enade ou Exame Nacional de Desempenho de Estudantes: isto vale 55% do CPC. O Índice Geral de Cursos é obtido pela média ponderada entre o CPC e a nota da Capes, uma autarquia do MEC avaliadora da pós-graduação e da pesquisa nas universidades e faculdades. O IGC varia de 1 a 5. As faculdades de nota 5 são as chamadas de faixa ou grupo de excelência que, em São Paulo, são: FGV, Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, Medicina de Rio Preto, Universidade Federal do ABC, ITA, Unicamp, Facamp e Universidade Federal de São Carlos. As universidades e faculdades da faixa 4 são as boas instituições; as de nota 3, regulares. As de nota 2 e 1 correm riscos de fecharem. A USP não participava da avaliação e voltou atrás, decidindo participar a partir de 2014, pois ficava feio recusar isto para a opinião pública! As notas do IGC não conseguem avaliar a qualidade de forma eficiente. Não se consegue saber se as aulas são efetivamente ministradas e com mínima qualidade didática. Não se avalia como o aluno está sendo formado pelo lado humanístico, ou se apenas pelo conteúdo técnico, sem os aspectos cultural, moral e ético. Acontece muito de matriculados nas disciplinas da pós-graduação não terem nenhuma aula, apesar de constar uma elevada carga horária: o papel aceita tudo! As pesquisas são avaliadas mais do ponto de vista quantitativo do que qualitativo. Não importa se o trabalho foi fatiado em outros cinco para aumentar o número de publicações. Nem mesmo se verifica se cada autor do mesmo trabalho executou algo ou o nome apenas consta por acordo de cavalheiros ou troca de favores, o que é muito comum, infelizmente! Nas verdadeiramente grandes revistas tem que se descrever detalhadamente o papel de cada autor. A melhor forma de selecionar a universidade em termos qualitativos pode ser pelas notas do MEC tipo IGC ou nota da Capes, mas especialmente se deve conversar com ex-alunos, alunos atuais e checar as informações. Relatórios e visitas dos avaliadores do MEC nem sempre avaliam todos os aspectos de um processo educacional. Até existem laboratórios e bibliotecas de aluguel! Ao escolher, pesquise o que aconteceu com os ex-alunos: se transformaram em que na sociedade, são respeitados e considerados como exemplos de profissionais e cidadãos, assumem cargos e responsabilidades sociais e políticas? Não se iludam com a fama e grife de uma universidade e nem com propagandas maciças que procuram te encantar. A universidade deve formar o cidadão como um todo e não apenas um bom profissional tecnicamente! Seja crítico! Alberto Consolaro é? professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC. Email: consolaro@uol.com.br
Fonte: Jornal da Cidade - Bauru - Bauru/SP


Comentários da notícia