Mais 11 colégios estaduais passam a ter ensino militar em Goiás

24/01/2014 - Secretaria de Educação diz que objetivo é diminuir a violência nas escolas. Polícia exige uniformes e cobra mensalidades; pais reclamam das taxas. A Secretaria Estadual de Educação fez uma parceria para que a Polícia Militar (PM) administre 11 escolas públicas de Goiás, sendo que uma delas ainda está em fase de construção. Segundo a pasta, o objetivo é diminuir a violência dentro e fora das salas de aula. Em sete desses colégios o ano letivo começou na quarta-feira (22). De acordo com a Diretoria de Ensino, Instrução e Pesquisa da PM, os colégios que passarão a ter ensino militar e já que estão em funcionamento são: Colégio Estadual Polivalente Gabriel Issa, em Anápolis; Colégio Professor João Augusto Perillo, na cidade de Goiás; Colégio Estadual José Carrilho, em Goianésia; Colégio Estadual Tomaz Martins da Cunha, em Porangatu; Escola Estadual Pedro Ludovico, em Quirinópolis; Colégio Estadual Nestório Ribeiro, em Jataí; e o Colégio Estadual Manoel Vila Verde, em Inhumas. Nos colégios José de Alencar, em Novo Gama, e Fernando Pessoa, em Valparaíso de Goiás, que ficam no Entorno do Distrito Federal, as aulas só serão iniciadas na quinta-feira (23). Já o Colégio Estadual Clementina Rangel de Moura, em Formosa, passa por reformas e o ano letivo deve ser iniciado até o final de fevereiro. A cidade de Aparecida de Goiânia também terá um colégio militar construído com recursos estaduais, mas as obras do local, que ainda não tem nome, estão em andamento. Taxas A secretaria afirma que a mudança nas escolas vai garantir uma melhoria na qualidade de ensino, já que as instuições passarão a ter o mesmo sistema implantado nos demais colégios militares do estado. O problema é que os pais terão de pagar mensalidades e muitos reclamam que só souberam disso no momento da matrícula. O filho da servidora pública Célia Alencar estuda em Valparaíso de Goiás. Ela diz que só ficou sabendo que o colégio passaria a ser militar no fim do ano passado, mas só agora foi surpreendida com os valores cobrados. “Pediram uma taxa de R$ 100 e uma resma de papel branco”, diz. Também passa a ser exigido que os alunos usem uniformes, sendo que são quatro modelos diferentes. O conjunto completo custa cerca de R$ 350. Ainda foi disponibilizada uma lista com livros que devem ser adquiridos e um deles custa R$ 300. Além disso, os pais terão de arcar com uma taxa mensal de R$ 60. “O colégio, na verdade, deixou de ser público para ser privado. É uma instituição da Polícia Militar com fins lucrativos”, disse o autônomo Vargas Alves. Em Novo Gama, a situação é parecida. Os pais dizem que tiveram de pagar uma taxa de R$ 40 para a matrícula. “Antes era tudo de graça e agora teremos que pagar mais R$ 40 mensais”, contou a cuidadora de idosos Andreia Santiago. A cobrança das taxas e das mensalidades está prevista em um termo de cooperação técnica assinado em 2012 entre a Secretaria de Educação e a Secretaria de Segurança Pública. O problema é que muitos pais não sabem as regras de funcionamento dos colégios militares e estão preocupados com os custos. “Vai ficar pesado, ainda mais por essa taxa mensal. Eu tenho dois filhos na escola e serão R$ 80 por mês”, destacou a dona de casa Beatriz dos Santos. Mas tem quem aprovou a mudança. “O que nós queremos é que o ensino realmente tenha qualidade. Como a escola pública estava em déficit, esperamos agora que a militar vai trazer um conteúdo melhor”, disse a dona de casa Ilda Monteiro. O porta-voz da Polícia Militar, coronel Divino Alves de Oliveira, disse que as taxas de mensalidades e uniformes são cobradas em todos os colégios militares, assim como acontece em Goiânia. Segundo ele, o dinheiro arrecadado é usado em benfeitorias nas próprias unidades e que os valores são administrados pelas associações de pais. Já a Secretaria de Educação disse que o pagamento não é obrigatório e os pais que alegarem dificuldades financeiras ficam responsáveis apenas pela compra dos uniformes.
Fonte: Do G1 GO, com informações da TV Anhanguera


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