Ensino do holocausto amplia discussão sobre direitos humanos em Porto Alegre

24/01/2014 - Destruição sistemática da população judaica europeia, o holocausto não diz respeito apenas a um grupo da sociedade. Na rede municipal de Porto Alegre, o tema ganhou um estímulo para ser tratado em sala de aula de forma a estimular discussões sobre outras discriminações e situações cotidianas que envolvem direitos humanos. Os professores Nilton Mullet Pereira e Ilton Gitz assinam a obra Ensinando Sobre o Holocausto na Escola (Penso Editora, 2014), livro pedagógico que traz informações e propostas para professores dos ensinos fundamental e médio lidarem com o assunto nas escolas. O holocausto é tema obrigatório na rede municipal de Porto Alegre desde 2010, com o projeto de lei Nº 10.965 do vereador Valter Nagelstein. Iniciativa inédita no País até então, a lei segue em vigor na cidade e foi a motivação para a criação do livro. De acordo com a prefeitura de Porto Alegre, neste ano, a obra irá circular nas 47 escolas de ensino fundamental e duas de ensino médio da rede municipal, após a doação de 200 exemplares da obra pelos autores, pela Federação Israelita do Rio Grande do Sul (Firs) e pela editora Grupo A. Não apenas professores de história, como também de filosofia e geografia, além de assessorias pedagógicas, terão acesso ao conteúdo da obra, de acordo com a assessora das Relações Étnicas, Ensino do Holocausto e Direitos da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre, Márcia Sigal. Para ela, o livro dá mais subsídios à obrigatoriedade do ensino. É preciso tentar entender a importância do tema dentro da realidade em que vivemos, contextualizá-lo para algo mais atual Ilton Gitz especialista em educação judaica Pensando a realidade do aluno A relevância do tema vai além de seu caráter histórico. Para os autores, garantir o ensino do holocausto é um importante passo para discutir outras questões que envolvam direitos humanos, como racismo, machismo e homofobia. “É preciso tentar entender a importância do tema dentro da realidade em que vivemos, contextualizá-lo para algo mais atual. Pensando nisso, eu e o Nilton paramos para pensar em formas de ajudar o professor a ensinar essas questões e quais aspectos poderiam ser usados em sala de aula”, afirma Gitz, também professor da área de Cultura Judaica do Colégio Israelita Brasileiro e Especialista em Educação Judaica pela Universidade Hebraica de Jerusalém. “O ensino do holocausto pode armar novas gerações para entender outros aspectos e dar conta de outras questões da vida prática do tempo atual”, reforça Nilton Pereira, professor da área de Ensino de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O ensino do holocausto pode armar novas gerações para entender outros aspectos e dar conta de outras questões da vida prática do tempo atual Nilton Pereira professor da UFRGS Além de conceituar termos como “homofobia”, “sexista” e “antissemita” em quadros destacados ao longo da obra, o livro também apresenta, ao final de cada capítulo, propostas de atividades para o professor realizar em sala de aula. Uma delas, no primeiro, sugere que os estudantes olhem para a sala de aula, para a escola e sua vizinhança (bairro, rua) e identifiquem práticas discriminatórias, relatando a pesquisa em um texto. No final da obra, também são encontradas dicas de filmes para assistir com os alunos e uma bibliografia aprofundada sobre o holocausto. “A grande questão desse tema é permitir que o aluno tenha sensações com o conteúdo estudado. Isso implica que ele se surpreenda, reconheça a imagem que viu. O fragmento de filme ou o texto que leu devem ser elementos que o levem para outro lugar, de estranhamento e surpresa, que permita a aprendizagem”. Função pedagógica Para a professora de história e diretora do colégio particular Leonardo Da Vinci, de Porto Alegre, Márcia Andrea Schimidt, é obrigação do historiador e do cidadão trabalhar com o holocausto em sala de aula. Ela concorda que o tema permite outras discussões acerca do preconceito. “O ensino do holocausto é uma intervenção pedagógica muito importante, porque podemos trazer conteúdos transversais a partir do conteúdo da história, trabalhando com direitos humanos e preconceito.” Cartola - Agência
Fonte: TERRA


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