Coronavírus impulsiona uso de metodologias ativas no ensino a distância

Metade dos alunos ao redor do mundo estão sem aulas devido à pandemia causada pela Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus. A suspensão provisória das aulas e atividades escolares e acadêmicas presenciais é uma medida embasada nas orientações dos órgãos de saúde pública, em nível mundial e nacional, com o intuito de conter a disseminação e preservar a saúde coletiva.

Para garantir aulas e atividades dos cursos e das disciplinas, a maioria das instituições está recorrendo ao desenvolvimento de atividades remotas ou intensificando o uso das plataformas virtuais por meio da modalidade de educação a distância.

Leia mais: Cancelou aulas presenciais devido ao coronavírus? Saiba como oferecer EAD

As atividades remotas e as atividades EAD não podem ser compreendidas como se fossem sinônimas.

Atividade remota significa a realização de uma atividade pedagógica de forma temporária e utilizada pontualmente, com o uso da internet, com a finalidade de minimizar os impactos na aprendizagem dos estudantes advindos de sistema de ensino originalmente presencial, aplicadas neste momento de crise.

Quando nos referimos à EAD, deve ser levado em consideração que, por se tratar de uma modalidade, possui um modo de funcionamento próprio com concepção didático-pedagógica, estruturado de forma flexível e que abrangem os conteúdos, atividades e todo um design adequado às características das áreas dos conhecimentos gerais e específicos contemplando todo processo avaliativo discente.

Considerando o cenário atual, de expansão e quarentena devido ao coronavírus, o uso remoto ou modalidade EAD são alternativas essenciais para garantir a apropriação dos conhecimentos, mantendo o estudante em permanente contato com a instituição de ensino durante este período afastamento ao convívio social tão necessário.

Ocorre que, ao recorrer a ferramentas virtuais disponíveis para manter a transmissão dos conteúdos das aulas, existe uma forte tendência de os professores optarem pela prática pedagógica de abordagens mais tradicionais, o que nem sempre precisa ser desta maneira.

Desde a maneira de interagir com os recursos necessários, como a câmera e a disponibilização dos conteúdos, até outras ferramentas próprias deste ambiente, como o chat ou o fórum, o fato é que os professores precisarão se reinventar. E os alunos também.

O desafio, aqui, é a qualificação da interação. Então, para manter a motivação dos estudantes em tempos de coronavírus, acreditamos que a aplicação de metodologias ativas em ambientes 100% online podem ajudar a se manterem engajados em suas atividades e ainda garantir um aprendizado efetivo e significativo. Aqui estão 3 estratégias pedagógicas que podem compor o planejamento docente.

Video based learning

O vídeo based learning (VBL) é uma abordagem de aprendizagem baseada no uso de vídeos, muito disseminada mediante a democratização do acesso aos dispositivos móveis e ao microlearning.

O VBL é pautado no uso de vídeos que alteram a passividade dos vídeos tradicionais, para altamente interativos. Neste contexto você pode utilizar animações com infográficos e textos, cenários, explicação de conceitos por meio do storytelling, ou outras narrativas visuais e textuais que podem compor a explicação dos conteúdos. Formatos de webséries para criar experiências de aprendizado de alto impacto, chat ativo durante a transmissão e interação com convidados especialistas podem gerar muita motivação e aprendizado.

Além disso, a utilização de vídeos no processo de ensino e aprendizagem é uma atividade bastante rica, por permitir que os estudantes possam assisti-los em qualquer hora e lugar e quantas vezes achar necessário para aprender. Ou seja, está aí uma das metodologias ativas que podem auxiliar em tempos de coronavírus.

Fórum invertido

O fórum invertido é uma ferramenta virtual assíncrona bem conhecida no mundo virtual, no qual o aluno tem a oportunidade de se aprofundar nos conteúdos abordados nas aulas, sanar dúvidas, debater diferentes assuntos ligados às disciplinas e se relacionar com outros estudantes.

Dependendo do comando da atividade elaborada pelo professor, como a disponibilização de case ou uma pergunta relevante e desafiadora, será uma atividade capaz de desenvolver o raciocínio crítico, troca de ideias, compreender conceitos científicos essenciais para a produção acadêmica e, acima de tudo, compartilhar conhecimento de forma bem ativa e colaborativa.

A atuação do professor no fórum deve estar pautada na ideia do papel de um tutor de curiosidade, ou seja, atua oferecendo conteúdos de inspiração que despertam curiosidade, necessidade de aprofundamento e a vontade de saber mais sobre determinado assunto.

O fórum ainda pode ocorrer de forma invertida. Isso quer dizer que se lança uma temática desafiadora e envolvente, no entanto os estudantes são estimulados a elaborarem as próprias questões, as quais são respondidas por outros estudantes com a mediação e direcionamento do professor.

O fórum invertido é uma proposta de aprendizagem ativa na qual gera muito engajamento do estudante por meio do levantamento de questões sobre o tema proposto.

Gamificação

A última das 3 metodologias ativas que podem ganhar impulso em tempos de coronavírus é a gamificação – ou gamification. Nela, não se trata de jogos de videogame ou jogos digitais educativos. O termo gamificação é, na verdade, utilizado para representar um conjunto de atividades organizados com base na mecânica dos jogos com o intuito de engajar pessoas para resolverem problemas e melhorar o aprendizado.

Pode, em alguns casos, envolver o uso de aparelhos eletrônicos como tablets, computadores e celulares – embora não seja uma exigência para gamificar uma sala de aula.

Como a gamificação utiliza ideias e a lógica dos jogos – fases, desafios, conquistas e recompensas, por exemplo –, tornou-se uma excelente alternativa para incentivar alguém a fazer algo. Esta abordagem tem sido um grande sucesso, pois desperta nos alunos o sentimento de conquista e com isso o aumento da autoestima e consequentemente maior interesse em aprender.

O professor neste modelo apresenta uma atuação semelhante a de um designer de jogos, cria estratégias, busca maneiras para que o aluno sempre queira “jogar” e assim descobre diversas maneiras de interagir com o conhecimento e mundo ao seu redor.

Nesta abordagem, o principal objetivo é gerar o engajamento cada vez maior e por isso as recompensas, recompensas também são itens cruciais para o sucesso.

Um bom exemplo desta prática e de fácil administração é o formato do Escape Room. Este modelo de gamificação é elaborado com base em uma narrativa pautada na resolução de pistas, enigmas e problemas com o intuito de libertar-se de uma “sala fechada”.

Para escapar das “salas fechadas” e concluir o desafio proposto é necessário superar “provas” dentro de um prazo, o que de certa maneira é uma forma de praticar e avaliar os conhecimentos aprendidos.

O professor elaborar uma narrativa dentro de um conteúdo que para conseguir “ sair” deverá acertar as questões relevantes. O professor pode utilizar ferramentas com estrutura de quiz como o Google Forms e Quizcreator, de forma assíncrona. De forma síncrona, pode usar aplicativos como o Kahhot e Socrative.


Fonte: https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/coronavirus-metodologias-ativas/


Comentários da notícia