Escolas e universidades se preparam para atraso nas aulas e buscam alternativas para driblar a crise da Covid-19

As instituições de ensino organizam uma estratégia de educação à distância para manter as atividades letivas durante a crise do novo coronavírus. A análise de representantes das secretarias estaduais é de que a interrupção de aulas deve durar bem mais que 15 dias e que é preciso identificar alternativa para que os estudantes não fiquem sem aula.

Além de atividades com o uso de computadores, os gestores estudam remeter materiais físicos para a casa de alunos que não tenham condição de conectividade. Algumas universidades privadas já têm adotado ambientes virtuais para seguir com as aulas remotamente. Até o momento, 20 estados e o Distrito Federal já suspenderam as atividades escolares total ou parcialmente.

Nesta terça-feira todos os secretários estaduais de educação participarão de uma videoconferência para definir quais serão as estratégias adotadas para manter o cronograma de aulas da rede em meio à crise de Covid-19.

No âmbito do ensino fundamental, de acordo com o Censo Escolar 2019, 36% das escolas estaduais não têm internet para ensino e aprendizagem. Na rede municipal o percentual é ainda maior: 70,4% não têm o recurso.

— Os estados vão se organizar para fazer as aulas à distância e de maneira programada. Em 15 dias a crise não se resolve, em países como a China as medidas duraram cerca de quatro meses. Não adianta ficar todo esse tempo em casa sem aprendizagem, vamos usar a tecnologia a favor da educação — afirmou Cecília Motta, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). Cecília Motta diz, ainda, que é preciso pensar nos estudantes sem acesso a dispositivos tecnológicos: — Nem todo mundo tem acesso à tecnologia, mas grande parte tem. Vamos estudar outras opções também, em países mais desenvolvidos fizeram canal de TV, por exemplo. Temos que pensar em algo maior e também estudamos encaminhar material para os alunos que não têm acesso à tecnologia.

Aulas virtuais

No ensino superior, as universidades privadas já começaram a utilizar as ferramentas digitais para cumprir o calendário letivo. Professora da Unicarioca, no Rio de Janeiro, Luciane Conrado deu sua primeira aula virtual aos alunos da educação presencial na manhã desta terça-feira.

Desde que as aulas foram suspensas, ela organizou a divulgação de suas atividades on-line que acontecem por meio de uma live no Facebook no horário em que eram ministradas suas aulas presenciais.

A professora, que também atua no mestrado sobre uso de Novas tecnologias na Educação, dará aulas pela internet para turmas de Jornalismo, Publicidade e História da Arte.

— Pensei em como auxiliar no ensino presencial, porque o aluno da educação à distância já está mais acostumado a essa dinâmica. O aluno presencial não tem uma cultura de buscar o conteúdo na internet, de administrar o próprio tempo, entre outras coisas — explica Luciane.

Por isso, uma das saídas foi o recurso da transmissão ao vivo

: — Então resolvi fazer por live, porque os estudantes conseguem interagir pelos comentários. É uma maneira de usar as novas tecnologias par aproximação e não para distanciamento do conhecimento em um momento de crise de saúde pública.

A docente explica que após as aulas ela disponibiliza no ambiente virtual da universidade exercícios e pesquisas que os estudantes devem entregar como atividade regular.

De acordo com o diretor presidente da Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Celso Niskier, a tendência é que as universidades particulares adotem a prática, mas caso haja a opção de suspender as aulas, esses conteúdos serão repostos sem prejuízo ao estudante.

— Vivemos um momento de exceção, é uma situação de emergência, todas as questões colocadas ficam em segundo plano . Estamos trabalhando num momento em que temos que ser criativos e fazer com que a vida acadêmica ande no momento crítico em que vivemos — afirmou.

— Há pequenas e médias instituições que não têm recursos tecnológicos já disponíveis, nesses casos elas podem suspender as aulas ou usar exercícios domiciliares.



Fonte: https://abmes.org.br/noticias/detalhe/3671/escolas-e-universidades-se-preparam-para-atraso-nas-aulas-e-buscam-alternativas-para-driblar-a-crise-da-covid-19


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