Coronavírus: Brasil está preparado para estudo remoto?

A cada dia acompanhamos pela imprensa o aumento de casos de infecção do novo coronavírus, seus desdobramentos e reflexos nos hábitos das pessoas ao redor mundo. Para se ter ideia, eram quase 377 milhões de estudantes com aulas paralisadas ou suspensas em 46 países – de acordo com a atualização de quinta-feira, 12 de março, da Unesco.

Com escolas, universidades, empresas e aeroportos fechando as portas até que a pandemia diminua, nunca foi tão necessário falar sobre a necessidade de trabalho e estudo remoto – e analisar como essas soluções são adotadas em escala.

O desembarque dessa realidade no Brasil parece iminente. Incrível como mesmo trabalhando há muitos anos com EAD, e de maneira remota nos últimos dois anos, nunca pensei na possibilidade de termos que recorrer aos diferenciais de flexibilidade da modalidade para casos de “isolamentos” como este do novo coronavírus.

Será que o Brasil, que não enfrenta invernos rigorosos (que impeçam as pessoas de se locomoverem), não está no foco de guerras (que também inviabilizam as pessoas a saírem de suas casas) e tampouco sofreu casos de epidemias, está preparado em caso de necessidade de nos isolarmos?

Estamos preparados – quer dizer, nossas empresas e instituições de ensino estão preparadas – para um período em que as pessoas precisem viver em isolamento?

Em recente entrevista a este portal Desafios da Educação, comentei que há um alto risco de exclusão de gestores, professores e alunos para adoção de modelos flexíveis (como EAD) para dar continuidade às aulas.

Apesar da EAD estar bem difundida e crescente no Brasil, ainda enfrentamos no dia a dia um desafio constante em conscientizar corpo gestor, docente e discente estritamente presencial sobre a necessidade da “digitalização” para os estudos, com demonstrações de resistências diversas. A inclusão digital educacional ainda sofre resistências.

Para as IES que não contam com plataformas digitais estruturadas de comunicação e apoio ao ensino presencial (LMS e/ou sistemas de ensino), é a hora de usar a criatividade (competência tão requisitada nos dias de hoje) para organizar “planos B” que não prejudiquem o ano letivo – caso o problema chegue ao Brasil.

A implantação imediata de plataformas pode ser um dos planos, mas o uso de recursos e app de domínio dos professores e alunos também pode ser uma alternativa.

Comunidades em redes sociais, grupos do WhatsApp… Apesar de informais, podem ser canais de comunicação que mantenham a rede de professores e alunos conectadas.

Considerando que os planos de aula e ensino já estejam estruturados, é mais fácil estabelecer estratégias de aula e aprendizagem remotas. A curadoria, no caso das organizações que não tenham materiais didáticos estruturados, também será de grande valia.

E o trabalho? Tenho renunciado ultimamente a convites para assumir funções em empresas e instituições de ensino que exigem integralmente a minha presença física. E posso dizer que esta é uma decisão minha que me afasta de empresas e instituições tradicionais que infelizmente ainda são maioria no Brasil. (E felizmente me aproxima das mais inovadoras.)

Como é que as organizações tradicionais de ensino vão se manter em tempos de isolamento? As justificativas de não apoiarem o trabalho remoto continuarão a ser sustentadas?

Com esses breves pensamentos, gostaria que refletissem: se precisarmos nos isolar amanhã, você está preparado para continuar na ativa remotamente?


Fonte: https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/coronavirus-brasil-estudo-remoto/


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