Com apoio dos veteranos, instituições de ensino superior acolhem calouros com ações conscientizadoras

Acolher os calouros de maneira não convencional para gerar a sensação de pertencimento perante a instituição faz parte da agenda do Célia Helena Centro de Artes e Educação (SP) há pelo menos seis anos. “Buscamos, principalmente, tirar a ideia da instituição como um lugar apenas de aprendizado formal e tradicional e fazê-los entenderem que é um local de encontro e troca de saberes”, explica Daves Otani, diretor acadêmico do Célia.

A experiência profissional de Daves o faz notar que os ingressantes chegam na graduação ou no curso técnico com a expectativa de encontrarem a mesma dinâmica de estudos e relacionamentos que tinham na educação básica.

Pensando nisso, a escola de artes começou a trabalhar com atividades que ajudem os alunos a desenvolver a autonomia e a construir uma relação com o ensino mais sistêmica, que invada o campo interpessoal e estimule o debate de saberes, conta o diretor.

A recepção aos calouros da graduação e cursos técnicos no Célia Helena tem duração de duas semanas. Neste ano, as atividades aconteceram entre 3 a 15 de fevereiro e a programação contou com festa, palestras, apresentações de peças realizadas pelos veteranos, rodas de conversa, cerimônias de apadrinhamento e cine-encontros.

Os assuntos são voltados à arte e às relações sociais e alguns encontros são abertos para pessoas de fora — todos mediados por professores da instituição com convidados e artistas externos, para inclusive, já estabelecerem contato com o mercado. Sexualidade, branquitude (como se constrói o mundo a partir da visão do branco) e LGBTQI+ foram alguns dos temas abordados este ano. Também houve um espetáculo apresentado e montado pelos graduandos com texto de Milôr Fernandes.

Mão na massa

No ano passado, as instituições de ensino superior ofereceram 9.858.706 vagas novas, segundo dados do Inep. Alternativas para evitar trotes violentos e criar esse sentimento de pertencimento está cada vez mais no radar de gestores e coordenadores acadêmicos.

Enquanto no Célia Helena a instituição é a principal articuladora do evento, contando com a participação dos alunos em ações como apoio ao conteúdo, na Universidade São Judas (SP), a Liga das Atléticas é a responsável pelo “trote solidário”, que arrecada alimento não perecível e ainda produz marmita para entregar a moradores de rua da Zona Leste de São Paulo. Todos os cursos e unidades participam.

A arrecadação junto aos calouros começou nesta segunda, 17, e vai até 28 de fevereiro. Em 29 deste mês, os alunos farão o ato solidário. Em 2019, a Liga das Atléticas também fez a doação de alimentos e toda a organização ficou por conta dos estudantes. Já neste ano, a universidade está apoiando na pré-produção e na divulgação para estimular os alunos a participarem.

“Muita gente acha que atlética é festa, mas longe disso. Ela surge pelo esporte e tem muitas outras ações. Levamos a sério iniciativas sociais”, defende Vitor Ede Rodrigues Guerieri, líder das Atléticas da São Judas. Vitor tem 22 anos e se formou ano passado em Publicidade e Propaganda.

A Liga representa nove atléticas da São Judas, espalhadas pelas 11 unidades da universidade. São elas: Comunicação Social e Artes, Saúde, Engenharia, Arquitetura e Urbanismo, Tecnologia da Informação, Ciências Humanas e Sociais, Medicina Veterinária e Odontologia. Vitor conta que as atléticas realizam outras ações durante o ano, como na Páscoa, em que arrecadam chocolate para doação, no setembro Amarelo, em que realizam palestras com profissionais da saúde e o incentivo à doação de sangue.


Fonte: https://revistaensinosuperior.com.br/ensino-superior-calouros-acao/


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