Tecnologia e renovação de espaços são tendências do ensino superior presencial

Há um crescente movimento para que as estratégias educacionais sejam adaptadas, a fim de acompanhar o cenário contemporâneo. Um bom exemplo é que, em função do desenvolvimento tecnológico, uma das tendências para 2020 é o investimento em alternativas que possam facilitar e otimizar a experiência de alunos e professores.

A inteligência artificial é um desses recursos. Apesar da iniciativa ainda ser pouco explorada e representar um desafio no Brasil, o documentário "10 Facts About Artificial Intelligence in Teaching and Learning" (10 fatos sobre inteligência artificial no ensino e aprendizagem, em português), produzido pela ONG canadense Contact North, apontou vantagens que chamam a atenção. Alguns fatores citados são aprendizagem personalizada e adaptativa, experiências mais ricas para alunos com deficiência e melhora no processo de avaliação.

Outro fator a ser explorado no ambiente educacional é a reestruturação de espaços físicos. No livro "Arquitetura escolar: o projeto do ambiente de ensino", a doutora em arquitetura Dóris Kowaltowski ressalta que uma das influências que o trabalho de um docente pode receber é a organização do espaço físico, que deve ser adaptado para novas metodologias de ensino, e não apenas para a exposição de conteúdos. No entanto, especialistas revelam que, ao contrário da educação básica, o ensino superior ainda recebe pouca atenção quando o assunto é espaço físico.

São caminhos pouco explorados. No entanto, há iniciativas despontando em instituições de ensino superior do país. Um exemplo é o "InspiraSpace", um espaço inaugurado no dia 5 de fevereiro deste ano dedicado a alunos e professores do Centro Universitário de Maringá (UniCesumar).

De acordo com a Head de Formação Docente e Apoio Discente da UniCesumar, Karina Tomelin, o projeto é inédito no Brasil e foi baseado em conceitos como o Cultura Maker, uma metodologia que propõe o aprendizado por meio da atividade, estimulando alunos e professores a colocarem a "mão na massa". Além disso, o InspiraSpace também engloba métodos de aprendizagem colaborativa e criativa, formação continuada dos professores, e o uso de tecnologia para potencializar o processo de ensino e aprendizagem.

"A educação presencial está mudando, mostrando que é possível aprender em novos espaços", diz Tomelin. "Exige do professor utilização de diferentes recursos que vão além da sala de aula tradicional. A ideia é instrumentalizar os professores, propondo uma rotina de formação permanente focada nas suas necessidades prioritárias e de maneira rápida."

"Focamos muito na formação docente", diz a gerente de Gestão Acadêmica da Instituição, Vanessa Mochi. "Nem todas as instituições trabalham com uma capacitação específica para formar os professores. Nós queremos mudar a rotina deles, propondo novas estratégias como a colaboração e a gestão de pessoas", afirma.

QUEBRA DE PARADIGMA

Com o InspiraSpace, a proposta é uma quebra de paradigma. Karina Tomelin explica que a ideia é que o professor seja um mediador do aprendizado. "O protagonismo é do aluno. Precisamos formar o professor para fazer a mudança acontecer, pois a transformação só ocorre quando transformamos o educador."

A concepção do projeto foi baseada na proposta de que o espaço propicie colaboração e conhecimento entre os professores. Para isso, eles poderão utilizar os Quiosques de Tecnologia Educacional, com recursos como quadro de ideias e acesso às plataformas da Google e da Microsoft. Além disso, foram instalados totens de metodologias e aparelhos de TV, oferecendo informações em tempo real aos docentes.

Para promover integração, o InspiraSpace dispõe de café, jogos e mesas de reunião para que os professores possam interagir e compartilhar experiências com seus pares, bem como livros e espaços dedicados a momentos de reflexão, concentração e relaxamento. Outras finalidades do espaço são sediar cursos de curta duração e ser utilizado como estúdio de gravação.

Outras finalidades do espaço são sediar cursos de curta duração e ser utilizado como estúdio de gravação.

DESIGN THINKING PARA ALUNOS

O InspiraSpace também tem espaços dedicados aos alunos, que foram desenvolvidos com base no conceito de Design Thinking. "Nós queremos aproximar os acadêmicos da prática profissional real. Hoje, unindo a Cultura Maker ao Design Thinking, é possível estabelecer uma problemática para que o aluno se coloque no lugar de quem está sofrendo aquele problema para desenvolver a abordagem. Esse processo consiste em observar o problema, definir estratégica, idear a solução do problema, criar o protótipo e iniciar a implantação", explica Vanessa Mochi.

Um desses espaços é a Sala Gravidade Zero, composta por carteiras modulares que podem ser dispostas de diferentes maneiras, respondendo à necessidade do momento. A Sala Chuva de Meteoros, também chamada de Sala de Ideação, é destinada a momentos em que o objetivo seja liberar o processo criativo. Para isso, são utilizadas estratégias visuais que sintetizam as ideias de maneira lúdica e colaborativa.

O espaço vai desde a Sala de Decolagem, que é dedicada ao momento de prototipagem das ideias, à Sala Via Láctea, idealizada para que os alunos possam ter momentos de descontração e aliviem o stress. Os alunos também poderão utilizar as salas Isaac Newton e Nicolau Copérnico para encontros colaborativos.

"Estes espaços vão permitir ao aluno desenvolver habilidades para o profissional do futuro como criatividade, colaboração e resolução de problemas", ressalta Karina Tomelin.


Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/dino/tecnologia-e-renovacao-de-espacos-sao-tendencias-do-ensino-superior-presencial,7f6db55b93e9f41a2221364b45e45d20pz3l0kkx.html


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