Cursos a distância melhoram desempenho no Enade 2018

Enquanto 29% das graduações de universidades federais alcançaram o conceito máximo no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), no ensino privado o índice foi de apenas 3,3%.

Isso significa que dos 7.276 cursos não-gratuitos avaliados, apenas 240 obtiveram Conceito 5. Esses e outros dados relativos ao Enade foram divulgados no começo de outubro pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O Enade é uma prova que avalia o desempenho e o conhecimento dos alunos que estão prestes a se formar no ensino superior, além de servir como ferramenta de avaliação de qualidade dos cursos.

O conceito divulgado em 2019 foi calculado com base no desempenho dos estudantes na prova de 2018. As notas do exame vão de 1 a 5 (da pior para a melhor).

A maioria dos cursos privados (48%) obtiveram resultado mediano – Conceito 3. Há mais graduações com conceitos 1 e 2 (31,2%) do que com as avaliações máximas (21,3%, no total).


Já nas instituições públicas (federais, estaduais e municipais), o conceitos 4 e 5 foram alcançados por mais da metade (53,1%) dos cursos avaliados no Enade 2018.

Especificamente nas instituições federais, os conceitos máximos foram registrados em 64% dos cursos.


Entre as razões para a discrepância dos resultados entre instituições públicas e privadas está o perfil dos estudantes.

Celso Niskier, diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), disse em nota ao G1 que alunos matriculados em instituições privadas são “em sua maioria oriundos das escolas públicas, que notoriamente apresentam um rendimento inferior ao aluno oriundo das escolas particulares”

EAD melhora desempenho

A última edição do Enade também registrou melhor desempenho da modalidade a distância (EAD), e consequentemente maior equilíbrio em comparação com os cursos presenciais.

No Conceito 5 ficaram 6% dos cursos EAD avaliados, ante 5,8% dos cursos presenciais.

Para efeito de comparação, no Enade 2017 apenas 2,4% dos cursos a distância obtiveram a avaliação máxima. No presencial, o indicador foi de 6,1%.



É importante destacar, no entanto, a diferença entre as provas. Na prova de 2017, participaram 537.360 estudantes de 10.570 cursos presenciais e a distância de licenciaturas e áreas afins, ciências exatas e cursos voltados para a tecnologia.

No Enade 2018 participaram 462.242 estudantes de 8.821 cursos presencias e EAD. Entre as 27 áreas avaliadas estão os cursos de bacharelado em Administração, Direito, Jornalismo e Turismo, além de cursos superiores de tecnologia em Comércio Exterior, Gastronomia e Design Gráfico.

Além disso, no Enade 2018 foram avaliados 376 cursos de educação a distância e 7.642 presenciais. Alexandre Lopes, presidente do Inep, atribui a diferença ao fato de que alguns cursos, como Direito, não apresentarem opções voltadas à modalidade EAD.

Weintraub fala em punição

Durante coletiva de imprensa para apresentação dos dados do Enade 2018, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, declarou que o governo estuda a possibilidade de punir estudantes que não apresentarem bom desempenho no exame.

“Uma pessoa que faz a prova e não consegue acertar ou acerta 10% das questões, não deveria se formar”, declarou Weintraub.

Atualmente, é proibido impedir os alunos de obterem o diploma, caso não atinjam um percentual mínimo de acertos no Enade.

De acordo com Lopes, do Inep, há uma ideia de incluir, já no próximo edital, uma regra que permita a divulgação de duas faixas de nota dos alunos que participaram da prova. A primeira faixa valeria para quem atingisse um nível de acerto entre 60% e 80% das questões. A segunda para acertos acima de 80% do exame.

Em entrevista ao Estadão, a conselheira do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães de Castro, diz que a punição para o estudante “não vai melhorar a qualidade do ensino superior”.

Segundo ela, seria necessário repensar todo o Sistema Nacional de Avalição da Educação Superior (Sinaes) e a organização dos cursos de graduação. “Se o exame tem o objetivo de avaliar os cursos, como cobrar e punir os alunos que não vão bem?”, questiona Castro, que também é ex-secretária executiva do Ministério da Educação (MEC) nos governos FHC e Temer.

Solón Caldas, diretor executivo da Abmes, também não vê benefícios na punição. Ao Estadão, ela lembrou que o setor defende, já há algum tempo, que a nota do Enade seja incluída no histórico escolar do aluno como incentivo para o exame.


Fonte: https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/resultados-enade-2018/


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