Como a educação mudou a vida de quatro famílias

21/01/2014 - Com a democratização do ensino, o acesso à universidade ficou menos difícil. O POVO conta histórias de quem superou as dificuldades e mudou de vida Um impulso interno que leva à ação. Escolher, iniciar e manter um objetivo: adquirir conhecimento e, a partir dele, mudar culturas, famílias, comunidades, pensamentos. A motivação ao aprendizado já contrariou perspectivas e tem feito de sonhos futuro concreto. Num Estado em que o domínio da leitura e da escrita ainda exclui 16,25% da população, sair do Interior e seguir uma carreira acadêmica ou passar em um concurso público pode parecer algo impossível. Não é. O senhor Antônio Lopes, 93, já sabia disso quando desafiou o que parecia lógico e fez com que os 13 filhos deixassem o trabalho na roça e fossem à escola, transportados por jumentos e dividindo um livro entre si. A fazenda da família ficava no distrito de Cangati, no município de Solonópole, e a escola tinha sede no distrito de Pasta, distante 18 km. “Disso eu me orgulho. Fiz diferente do meu pai, que de nós só queria o trabalho. Eu não queria que eles tivessem a mesma vida que eu”, afirma. Do tempo em que seu Antônio levava os “meninos” para aula até hoje, muita coisa mudou. Seja através dos sistemas denominados como de democratização do ensino ou pela iniciativa de ONGs, o acesso à educação cresceu. Como exemplos positivos podem ser citados o Programa Universidade para Todos (Prouni), que concede bolsas de estudo em cursos de graduação; a Lei de Cotas, que reserva 50% das vagas das universidades federais a alunos de escolas públicas; o ensino profissionalizante; e o projeto Educação de Jovens e Adultos. “O Prouni realmente dá oportunidade de ingressar na faculdade. Para quem precisa trabalhar, muitas vezes só as instituições pagas oferecem cursos à noite”, exemplifica a mestre em Educação e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Germana Fontenele. Conhecimento Apenas se alfabetizar não tem sido suficiente. Graduação, mestrado, doutorado e emprego público estão entre os desejos de quem optou por quebrar ciclos familiares onde o estudo não foi prioridade. “Hoje em dia os jovens vão para a escola porque querem. Nem 5% dos meus alunos têm os dois pais formados. A busca por conhecimento e saberes aumentou. O Brasil ainda tem dificuldades, mas o contexto é outro”, opina a doutora em Educação e professora da UFC, Neide Veras. Mas de onde vem o estímulo para seguir em frente e superar os obstáculos? “Os estímulos podem ser internos, derivados da personalidade de cada um. Como a criança que já nasce em um mundo dela, com motivações individuais. Ou externo, onde entra a família, quando os pais enxergam que a educação é o melhor caminho”, afirma a psicopedagoga Maria Ednar Façanha. Sara de Oliveira saraoliveira@opovo.com.br
Fonte: O Povo.com.br


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