Empresa carioca desenvolve sistema para satélites nacionais

07/04/2014 - Instalada no Condado de Cascais desde o princípio, AMS produz programa para monitoramento da Amazônia RIO — Centenas de monitores cobrindo completamente uma parede, telefones com headset e um estado de tensão no ar. Se estas são as primeiras imagens que surgem na sua mente ao pensar em pessoas que trabalham com programas espaciais, talvez haja estranheza ao visitar a sede da AMS Kepler. Localizada num escritório no Condado de Cascais, a empresa de engenharia de sistemas tem um clima similar a outros ambientes corporativos. Composta por 18 funcionários, a organização funciona na Barra desde o princípio, em 1998, e, segundo os sócios, é a única na América Latina a desenvolver sistemas para satélites. Os dois maiores projetos são realizados para o Programa Espacial Brasileiro: o software CBERS 4, satélite desenvolvido pelo governo em parceria com a China, previsto para ser lançado no espaço até o fim deste ano; e o Amazônia I, primeiro satélite 100% nacional, que será utilizado pelo Inpe no monitoramento ambiental dentro do país e deverá estar operando em 2015. — O Amazônia-1 terá uma câmera com resolução de 40 metros (como se a máquina estivesse a esta distância do chão), que faz uma varredura completa da Terra a cada cinco dias; e outra com resolução de dez metros, que precisa de 30 dias para fazer o mesmo. Coube à nossa equipe desenvolver os sistemas deste satélite — diz Frederico Liporace, engenheiro eletrônico e um dos três sócios da empresa. Liporace explica que as imagens também são úteis para empresas do segmento de petróleo e realização de estudos prévios para acompanhar grandes obras: — O satélite é uma grande câmera fotográfica que registra movimentos com muita precisão. Aqui nós precisamos casar estas imagens com aquelas feitas pelo Google Earth. O outro sócio, o cartógrafo Antonio Machado e Silva, afirma que o projeto é tão específico que não existe uma formação adequada para se trabalhar na área. — É a mistura de analista de sistemas com cartógrafo. Contratamos um dos especialistas e precisamos prepará-lo para lidar com as outras habilidades — revela. Cibelle Brito
Fonte: O GLOBO


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