Protesto contra Ebserh fecha portões da UFCG

07/04/2014 - Isabela Alencar / Leonardo Silva Paralisação impediu realização das aulas e aprovados no último vestibular não puderam realizar cadastro Portões fechados com correntes e cadeados e faixas expostas na entrada principal da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) fizeram parte de uma paralisação realizada ontem por servidores e estudantes da instituição contra a adesão à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), uma decisão da reitoria. De acordo com o diretor da Associação dos Docentes da universidade (ADUFCG), Luciano Mendonça, uma ação também foi encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) de Campina Grande. Quem tentou entrar no Campus de Campina Grande foi impedido por manifestantes e houve até tumulto e agressão contra uma estudante. “A comunidade acadêmica rejeitou em todos os fóruns a adesão à empresa e a reitoria insistiu, em uma decisão monocrática, pela adesão, mesmo quando a comunidade, através do colegiado pleno, rejeitou por 36 votos a quatro. Então a gente continua na luta com as mobilizações para conseguir o apoio da população, mas também agindo em outros meios. A gente já encaminhou uma ação pública ao MPF pedindo providências, porque todo o corpus legal e administrativo foi violentado pela reitoria, através de um ato de improbidade administrativa, ilegal e imoral”, contou o diretor da ADUFCG. De acordo com ele, são muitos os pontos negativos da adesão, começando pelo que eles consideram de privatização dos serviços dos hospitais universitários, no caso da UFCG o Alcides Carneiro (Campina Grande) e Júlio Bandeira, em Cajazeiras. “Os hospitais universitários são hospitais escola para servir como suporte para a formação de profissionais da saúde e com o SUS tiveram o serviço estendido para a população. Então a empresa mudará radicalmente a forma de funcionamento, ao retirar da universidade e repassar para a iniciativa privada, que embora seja pública no nome é de iniciativa privada”, continuou. Ele também informou que outra situação negativa será a mudança do regime dos trabalhadores, que passará a ser celetista, o que de acordo com os manifestantes, não garantirá a estabilidade. “Outro aspecto é a mercantilização. Hoje os hospitais atendem 100% pelo SUS e com a empresa vão abrir as portas para planos de saúde, já que a empresa vai ter que fazer caixa, vai ter que buscar renda complementar”, acrescentou o diretor da ADUFCG. Para o estudante de Engenharia Química, membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE) na Paraíba, Edísio Leite, a possível abertura de espaço dentro dos hospitais para outras faculdades poderá prejudicar os alunos da área de saúde. “Os estudantes não vão ter a tranquilidade para fazerem suas atividades teóricas e práticas, provavelmente vamos ter também a entrada de entidades privadas, isso é grave porque vai ter muita gente, para uma condição de trabalho precária. A gente defende que o HUAC atenda só alunos da rede pública”, lamentou o estudante. De acordo com Edísio Leite, seria importante que a população tivesse hospital para atender a todos. “Mas o setor público não prioriza o investimento na educação e na própria saúde pública, então os hospitais passaram por esse processo de precarização”, frisou. Durante a paralisação, que impediu o acesso à UFCG, também participaram da manifestação servidores técnicos da própria instituição que iniciaram uma greve na última segunda-feira, por melhores condições de trabalho, e demais membros do Fórum em Defesa do SUS de Campina Grande. FERAS SÃO IMPEDIDOS DE FAZER CADASTRO A paralisação realizada ontem por servidores e estudantes da UFCG impediu a realização das aulas e sem garantir o livre acesso à instituição, aprovados no último vestibular não puderam realizar o cadastro como previsto no calendário. Segundo o pró-reitor de Ensino da UFCG, Luciano Barosi, o calendário deverá ser modificado para não prejudicar os futuros universitários. Ele informou que a adesão à Ebserh já foi oficializada em documento e a expectativa é que a partir do próximo ano, a empresa já administre os hospitais universitários da UFCG. “A manifestação não permitiu a entrada de pedestres e acabou inviabilizando o cadastramento do vestibular e esse prejuízo é significativo. Vamos ter que alterar o calendário do vestibular e isso é um transtorno também para a sociedade externa, já que a paralisação foi obstrutiva. Quanto à adesão à Ebserh, ela foi feita e dialogada três vezes e foi realizada, agora é um momento que as pessoas terão que compreender como funciona o processo de democracia da universidade. Nós temos que continuar o diálogo e passar por isso, porque a pauta na universidade não é a empresa, mas os estudantes”, afirmou. O pró-reitor informou que o documento pela adesão da empresa já foi assinado, oficializando a decisão, mas a adesão completa ainda passará por um processo de diagnóstico dos hospitais e possível reforma, para a concretização da administração pela empresa. “O processo de adesão é bastante longo e pode durar mais de um ano", finalizou.
Fonte: Jornal da Paraíba - João Pessoa/PB


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