busca de uma carreira de vida

07/04/2014 - O primeiro dia de trabalho na empresa é mágico. Depois de diversos exames e entrevistas, o jovem alcança o sonhado primeiro emprego – um dos principais ritos de passagem da vida. Agora o jovem não é mais apenas um estudante, é um profissional. Muitas expectativas se mesclam aos sonhos de sucesso e realização, é o início de uma nova fase com inúmeros desafios que são, na verdade, o principal combustível para seguir adiante. Os primeiros lideres, que serão exemplos, são apresentados e seus modelos de trabalho ajudarão a formar a expectativa de uma carreira de muito reconhecimento. Tudo que acontece é emocionante, e os olhos brilham a cada nova tarefa realizada. Qualquer profissional que já passou por essa situação sabe que, por mais que pareça inocente e ingênua, a experiência é marcante e fica cristalizada na memória por toda a vida. Contudo, nos tempos atuais, diversos fatores alteram os acontecimentos após esse dia mágico. Os desafios dão lugar às tarefas cansativas, os líderes se transformam em competidores agindo muitas vezes com incoerência, a cobrança por resultados é a única constante e o reconhecimento assume aspecto abstrato e distante. O tempo todo vemos pessoas insatisfeitas com sua profissão, buscando sem cessar compensações e benefícios que tornem o trabalho minimamente suportável e projetando sua felicidade em algum momento no futuro, mesmo que seja no fim de sua trajetória como profissional. Seria então uma utopia considerar o trabalho algo gratificante? Nos tempos atuais, observamos que a tênue separação entre o “pessoal” e o “profissional” já não reflete a realidade na dinâmica de trabalho das pessoas. Hoje, e-mails são respondidos durante festas de aniversário, relatórios são preparados na cama enquanto se assiste o filme favorito, negócios são fechados durante caminhadas em parques e em muitas outras situações análogas. Pode-se afirmar com segurança que, de algum modo, o trabalho invadiu a vida pessoal. Como consequência direta desse cenário, cada vez mais os profissionais buscam empregos em que possam também contemplar sua vida pessoal. No ambiente de trabalho estão mais valorizadas a flexibilidade e a informalidade que permitam trazer aspectos pessoais para a rotina do trabalho. Também se espera dos chefes um comportamento coerente que promova o autodesenvolvimento por meio de desafios. No campo das ideias e dos conceitos essa realidade é perfeita, mas para que ela possa fluir sem problemas é preciso também que o conceito de “carreira profissional” seja remodelado individualmente. Por muitos anos a carreira profissional esteve associada à ampliação de desafios e ao reconhecimento pessoal, criando assim uma correlação absolutamente impraticável nos dias atuais, pois os níveis hierárquicos estão cada vez menores e a quantidade de posições disponíveis no “alto da pirâmide” organizacional reduz a cada crise mundial. Devemos realinhar nossas expectativas de “carreira” lembrando que, com a ampliação da expectativa de vida, dificilmente teremos apenas uma “profissão” em nossas vidas. Precisamos concentrar nossos esforços e expectativas de desenvolvimento pessoal em desafios e projetos e não mais em uma carreira, sabendo que a profissão ou o emprego atual é só um meio para algo muito mais verdadeiro que a carreira profissional. As expectativas sobre títulos e cargos já não podem se consideradas mais relevantes do que os desafios que vencemos e as formas que utilizamos para superá-los. Durante nossa trajetória, teremos bons empregos e péssimos chefes ou ótimos líderes e terríveis ambientes de trabalho; as escolhas e o modo empregado para realiza-las vão determinar sua verdadeira carreira. O grande legado do jovem, seu supremo reconhecimento, não acontecerá por uma carreira profissional, mas por sua carreira de vida. Texto extraído do livro “Geração Y – Ser potencial ou ser talento? Faça por merecer”, Editora Integrare. Sidnei Oliveira Blog
Fonte: EXAME.com


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