Empresa júnior desperta o empreendedorismo em estudantes de graduação

03/04/2014 - Participar da atividade acadêmica faz com que alunos decidam virar empresários ainda na faculdade Os sócios da Mobits se conheceram na faculdade de Ciência da Computação da UFRJ e trabalharam juntos na empresa júnior da instituição. Foi lá que descobriram que tinham perfil de empreendedores e decidiram abrir juntos uma empresa. Foto: Simone Marinho Os sócios da Mobits se conheceram na faculdade de Ciência da Computação da UFRJ e trabalharam juntos na empresa júnior da instituição. Foi lá que descobriram que tinham perfil de empreendedores e decidiram abrir juntos uma empresa. Simone Marinho Ingressar em uma empresa júnior é o objetivo de muitos estudantes de graduação interessados em conquistar vagas em importantes processos seletivos de estágio e trainee do mercado. O que alguns não imaginam é que uma experiência como essa pode acabar despertando e desenvolvendo o espírito empreendedor que não sabiam possuir. Na definição da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), uma empresa júnior é uma associação civil sem fins lucrativos e com fins educacionais, formada e gerida exclusivamente por estudantes de graduação e vinculada a uma instituição de ensino superior. Sua finalidade é desenvolver seus participantes e fornecer serviços de baixo custo e alta qualidade para micro e pequenas empresas. Toda EJ tem um plano de carreira e uma rotatividade de funções que permitem o crescimento dos estudantes na hierarquia da empresa, podendo levá-los, até mesmo, à presidência dela. Para o professor Rafael Nascimento, um dos orientadores da empresa júnior da ESPM Rio, essa dinâmica faz com que os alunos vistam realmente a camisa dos projetos desenvolvidos por eles. — Eles são orientados por professores, mas se envolvem totalmente com prazos e orçamentos, lidam com clientes finais, cuidam de burocracias que não necessariamente estão relacionadas a suas áreas de conhecimento. Eles trabalham em uma empresa mesmo, só que dentro da faculdade, mas com padrões de uma companhia comum. Segundo o presidente da Brasil Júnior, Ryoichi Penna, há companhias que realizam processos seletivos exclusivos para empresários juniores, e outras que dão exclusividade em programas de trainée para quem já passou por uma EJ. Esse atrativo era uma das principais motivações de um grupo de ex-alunos do curso de “Ciência da computação” da UFRJ. Felipe, Hildi, Rafael, Afonso e Karin entraram juntos para a EJCM, a empresa júnior da faculdade. Na época, apenas Karin já se imaginava dona do próprio negócio. Os outros quatro sonhavam com uma carreira bem-sucedida em multinacionais de tecnologia, mas a experiência na EJCM fez com que mudassem de ideia. Os jovens descobriram que tinham vocação para empreendedorismo e capacidade para gerirem uma empresa. Em 2008, portanto, os cinco se reuniram para montar a Mobits, empresa que desenvolve aplicativos para smartphones e celulares. — Todos nós fomos diretores, e alguns, presidentes, da EJCM. O trabalho na empresa júnior foi fundamental para nosso desenvolvimento como empresários porque rodamos todas as áreas que uma empresa comum tem. Mesmo sendo uma EJ de ciência da computação, tivemos que aprender gestão de pessoas, marketing, financeiro etc. Aqui na Mobits, por exemplo, eu sou diretora de comunicação, e a Karin é diretora financeira. Grande parte do nosso conhecimento nessas áreas foi aprendida durante nossa passagem pela EJCM — conta Hildi Medeiros que, assim como seus sócios, antes da Mobits, trabalhou em outras empresas como funcionária. Parceiros da empresa júnior da ESPM, Daniel Duarte e Victor Mello também saíram da faculdade pensando em montar juntos uma empresa. Em 2011, criaram a Campi, agência de comunicação especializada em público jovem. — A EJ nos deixa mais cascudos porque aplicamos a prática de tudo o que a sala de aula teoriza. Já no meu primeiro período, passei no processo seletivo da empresa júnior. Em pouco tempo, cresci bastante e aumentei minhas responsabilidades. Eu precisava resolver muitas questões ao mesmo tempo. Essa experiência faz com que a gente se lance mais, e é por isso que muitos acabam se apaixonando pela ideia de abrir seu negócio. É o caso do ainda estudante de graduação Pedro Folly, membro da Ayra Consultoria, empresa júnior multidisciplinar de gestão de negócios da UFRJ. Aluno do curso de “Ciências contábeis”, Folly ingressou na universidade em 2012 e imaginava seguir carreira em uma grande empresa ou no funcionalismo público. — Minha família sempre me incentivou a buscar o caminho mais seguro. Por isso, eu planejava conquistar espaço no mundo corporativo com cargo executivo ou mesmo passar em um concurso. No entanto, na Ayra, estou no meio de um turbilhão de ideias muito estimulante. Toda aquela independência que meus parentes torcem para que eu tenha se transformou em uma vontade enorme de fazer o que eu gosto, e eu quero ter um negócio construído por mim — planeja o estudante que, aos 20 anos, é diretor de projetos da empresa júnior. Amanda Wanderley
Fonte: O GLOBO


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