Afinal, vivemos em castelos de areia ?

03/04/2014 - Considerada a atual sociedade de consumo, será que nossa situação de conforto e abundância está consolidada? Será que teremos a adequada quantidade de energia, água e comida para manter nosso modelo de vida? Procurei refletir sobre o tema em meu livro A Economia do Cedro, publicado no início desta década, quando estabeleci um elenco de ameaças e oportunidades ao desenvolvimento das comunidades humanas. Na ocasião, manifestei preocupação especial com a evolução do quadro de mudanças climáticas, resultantes, sobretudo, de atividades produtivas “não responsáveis”. Ontem, dia 31 de março, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), divulgou um novo relatório sobre o assunto, lastreado em 12 mil estudos recentes, realizados em diferentes países. De acordo com os cientistas reunidos em Yokohama, no Japão, o impacto das mudanças climáticas (popularmente conhecidas como “aquecimento global”) será “grave, abrangente e irreversível”. O IPCC considera que o documento é a avaliação mais completa já realizada sobre o tema. Os peritos que o elaboraram afirmam que a quantidade de provas científicas acerca do fenômeno dobrou desde o último relatório geral, publicado em 2007. Para o secretário-geral da Associação Mundial de Meteorologia, Michel Jarraud, a ignorância já não pode ser utilizada como desculpa pelas pessoas que estão “destruindo o planeta”. “O estudo apresenta as mais sólidas evidências que poderíamos obter em qualquer disciplina científica”, afirmou. De acordo com as previsões, com o atual ritmo das mudanças, o mundo sofrerá perdas de mais de 25% nas colheitas de milho, arroz e trigo até 2050. Neste ano, a população global chegará a 9,3 bilhões segundo a ONU. Hoje, somos 7,2 bilhões. Para se ter ideia deste descompasso, enquanto escrevia este artigo, 6,4 mil seres humanos foram somados a este total (nascidos menos falecidos). Para o cientista Neil Adger, da universidade britânica de Exeter, no Reino Unido, o futuro será de muitos riscos, pela redução das colheitas e pela falta de água. O estudo mostra que as enchentes e as ondas de calor estarão entre os principais fatores capazes de ceifar vidas. A escassez de recursos, obviamente, gerará grandes movimentos migratórios e, provavelmente, conflitos armados. Na verdade, são eventos que já ocorrem, por exemplo, na África Subsaariana e no Sudeste da Ásia. Considero-me um realista otimista. Vejo que a humanidade já enfrentou graves problemas, e sempre soube enfrentá-los e solucioná-los. Se hoje dispomos de tanta tecnologia, é provável que tenhamos ainda mais chances de obter sucesso nessa empreitada. No entanto, é preciso que todos, no plano público e no plano privado, nos empenhemos urgentemente em constituir práticas de gestão responsável e sustentável. Em caso contrário, logo nos daremos conta de que habitamos frágeis castelos de areia, suscetíveis às forças naturais. A correção, portanto, precisa começar já, em casa e no escritório. Inicia-se, por exemplo, na substituição de uma torneira comum por outra econômica, e vai até a preservação estratégica dos mananciais. Se degradados, faltará até mesmo a energia que abastece o computador pelo qual você lê este artigo. Esta luta é sua, é minha, é de todos nós. Qualquer empreendimento, se realmente bem gerido, contempla também as necessidades do planeta. Pense, atue, renove e reinvente. Afinal, a teoria, na prática, funciona! Acesse o blog e veja todos artigos do Magia da Gestão: http://www.carlosjulio.com.br/blog/ Escute todas as Colunas Gestão Descomplicada pela Rádio CBN: http://www.carlosjulio.com.br/categorias/podcast/ Carlos Júlio é professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
Fonte: Magia da Gestão


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