Etapa fundamental no centro do debate

03/01/2014 - A comerciante Elaine Mota, 49 anos, se diz satisfeita com a qualidade da educação recebida pela filha Natália, de 11 anos, numa escola particular de alto nível em Brasília. O preço, entretanto, não agrada. “Eu pago cerca de R$ 1,2 mil todos os meses só em mensalidade na escola dela, fora o material escolar. Se tivesse que fazer um pedido para 2014, seria o de uma escola pública melhor, onde eu tivesse confiança de deixar minha filha”, diz. “Quer dizer, a gente já paga uma quantidade elevada de impostos, então seria justo poder usufruir da educação pública”, reclama a moradora do Plano Piloto. A educação básica estará no centro dos debates da área em 2014. Enquanto o ensino superior experimentou uma ampliação significativa nos últimos anos, a primeira etapa do ensino continua pecando em qualidade e em alcance, com 8% das crianças entre 4 e 17 anos fora da escola, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2011. Para o professor Mozart Neves Ramos, coordenador do Movimento Todos Pela Educação, o principal desafio da educação básica é tornar a carreira docente mais atrativa. “A situação é especialmente crítica nas disciplinas de química, física e matemática. Dos professores que dão aulas nessas disciplinas, 44%, 61% e 42%, respectivamente, não foram formados nas disciplinas ou nem mesmo em área correlata”, diz. “Isso impacta profundamente na qualidade do ensino médio. Dos alunos que terminam essa etapa, apenas 10% aprenderam o que seria esperado em matemática”, completa o docente. O diagnóstico é compartilhado pela professora Aline Cristine Coelho, que atua na rede pública do Distrito Federal. “Não é um trabalho fácil como alguns pensam. É uma jornada muito desgastante. Na primeira escola onde dei aula, o teto da sala era cheio de goteiras. Aqui no Distrito Federal, nós somos até relativamente bem pagos, mas me dá muita revolta pensar que um colega em outra unidade da Federação ganha menos de mil reais por uma jornada de 40 horas por semana”, conta ela, que decidiu pôr os filhos Maria Luísa, 6 anos, e Vitor, de 2, numa escola particular de Taguatinga. “Eu estudei em escola pública e espero sinceramente poder um dia colocar meus filhos para estudar em uma, mas atualmente não me parece uma boa alternativa”, lamenta ela. A forma de avaliação da educação básica é um dos temas que serão debatidos na Conferência Nacional de Educação (Conae), em fevereiro. A proposta é que se crie um novo modelo de avaliação para essa etapa de ensino, que leve em conta não só as notas dos alunos numa prova, mas também fatores como a formação dos docentes e a infraestrutura das escolas. “Esses exames padronizados foram introduzidos no Brasil imitando um modelo dos Estados Unidos, que agora começa a ser abandonado por eles próprios. Portanto, está na hora de rever isso aqui no Brasil também”, diz o doutor em educação Carlos Augusto de Medeiros. (AS) “Eu pago cerca de R$ 1,2 mil todos os meses só em mensalidade na escola dela, fora o material escolar. Se tivesse que fazer um pedido para 2014, seria o de uma escola pública melhor, onde eu tivesse confiança de deixar minha filha” Elaine Mota, 49 anos, comerciante
Fonte: Correio Braziliense - Brasília/DF


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