Mais eficácia no combate ao câncer

13/01/2014 - Desde o começo do ano, os planos privados ampliaram os tipos de tumor para os quais a realização do Pet Scan é liberada. O exame de ponta identifica as primeiras alterações celulares provocadas pela doença e ajuda na avaliação do tratamento iniciado Belo Horizonte — Para milhares de brasileiros, este mês marca o início de uma nova fase no diagnóstico e no tratamento do câncer. Desde o começo de 2014, pacientes com plano de saúde têm direito a tratamentos mais completos. Entre os novos procedimentos previstos, a extensão do Pet Scan — associação entre a tomografia por emissão de pósitrons e a tomografia computadorizada — para outras formas de neoplasia promete ser a grande revolução na identificação precoce e no tratamento eficaz contra os tumores. Mas enquanto a tecnologia que chegou ao Brasil em 2002 começa a beneficiar uma parcela maior da população, aparelhos mais modernos e precisos são lançados no mercado internacional. O Correio Braziliense/Estado de Minas começa hoje uma série de reportagens para discutir os principais avanços da radiologia e da medicina nuclear, os benefícios no combate ao câncer — responsável por 17% das mortes no Brasil — e os desafios para reduzir a defasagem ainda existente entre as terapias oferecidas no país e no resto do mundo. Ampliar o acesso é um importante passo para estimular novos investimentos das redes hospitalares em tratamentos de ponta. Até o ano passado, somente pacientes com câncer colorretal, linfomas e alguns casos de tumores no pulmão tinham acesso ao Pet Scan pelo plano de saúde. Os demais eram obrigados a desembolsar cerca de R$ 3,5 mil para realizá-lo. Com a mudança, muitas restrições no combate ao câncer pulmonar foram eliminadas e, além disso, outras versões da doença, como o de mama, cabeça e pescoço, esôfago e melanoma, foram incorporadas à lista de cobertura. “Acredito que, com essas mudanças, conseguiremos atingir uma gama bem ampla das neoplasias com maior incidência na nossa população. Vamos atender os principais casos (da doença) daqui pra frente”, avalia Clarice Sprinz, responsável médica pelo procedimento de Pet Scan do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. Médica nuclear do Departamento de Diagnóstico por Imagem do Hermes Pardini, em Belo Horizonte, Ivana Moura Abuhid lembra que há outras condições para a realização do procedimento. “Na maioria das vezes, é feito quando os exames convencionais não são suficientemente esclarecedores”, observa. Ampliar o acesso ao Pet Scan, também chamado de Pet/CT, visa, justamente, trazer maior precisão não apenas na detecção rápida e segura do tumor, mas também na condição dele — se está localizado ou disseminado em metástases, por exemplo — e na definição do tratamento mais promissor. Ivana Abuhid lembra que, antes desse método, essas informações eram baseadas em estudos anatômicos morfológicos, normalmente oferecidos a partir da tomografia computadorizada, da ultrassonografia e da ressonância magnética. “Essas técnicas fornecem informações muito importantes sobre o tamanho, o volume e a localização das lesões com excelente detalhamento anatômico”, observa. Metabolismo alterado Antes mesmo das mudanças morfológicas, porém, a doença já é capaz de causar alterações metabólicas nas células “O papel do Pet Scan é justamente identificar as alterações metabólicas em nível celular, localizando a doença maligna antes que as alterações anatômicas de aumento de volume, por exemplo, se tornem evidentes”, explica Abuhid. Para Clarice Sprinz, o Pet Scan representa, no Brasil, o que há de mais moderno à disposição dos pacientes. Sua eficácia na leitura da dinâmica metabólica do tumor é fundamental também no processo de definição das melhores alternativas de tratamento. “Antes de verificarmos a redução de tamanho, o tumor perde vitalidade metabólica. Dessa forma, conseguimos ver com antecedência se ele está respondendo ao tratamento empregado”, observa Marcelo Livorsi da Cunha, um dos médicos do Serviço de Medicina Nuclear e Pet/CT do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Se o retorno for positivo, é possível interromper o tratamento antes do tempo previsto. Caso contrário, providências podem ser tomadas rapidamente. “Com o número crescente de opções de drogas de quimioterapia, as que estavam sendo utilizadas podem ser trocadas por outras mais eficazes ou ser associadas a um segundo tratamento, como uma radioterapia”, exemplifica Ivana Abuhid. “Antes de verificarmos a redução de tamanho, o tumor perde vitalidade metabólica. Dessa forma, (com o Pet Scan) conseguimos ver com antecedência se ele está respondendo ao tratamento empregado” Marcelo Livorsi da Cunha, médico nuclear Indicação restrita Apesar de parecer a solução definitiva para qualquer diagnóstico, o Pet Scan não é indicado para a triagem dos tumores. “As pessoas perguntam se qualquer um deve fazer um Pet para saber se tem um tumor que ainda não se manifestou. A resposta é não”, diz a médica nuclear Ivana Abuhid. Segundo ela, outros métodos diagnósticos já estabelecidos, como exame clínico, mamografia, colonoscopia e ultrassonografia devem ser priorizados. “O Pet/CT é realizado geralmente em pacientes que já têm sabidamente um tumor e queremos estudá-lo melhor quanto à disseminação para outras partes do corpo para a avaliação da eficácia do tratamento ou para detectarmos mais precocemente uma possível recidiva ou recorrência do tumor após o término de um tratamento”, alerta a especialista. Paula Takahashi
Fonte: Correio Braziliense / DF


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