Brasilienses e Copa alavancam Pirenópolis

13/01/2014 - Com casarões anunciados a até R$ 1,8 milhão, setor imobiliário da cidade histórica vive o melhor momento, graças a turistas e investidores da vizinha capital do país. Número de pousadas subiu de 110 para 170 em quatro anos A Copa do Mundo e a presença cada vez maior de brasilienses têm levado altos investimentos e muita especulação imobiliária a Pirenópolis, município goiano distante 150km do Distrito Federal. Apenas nos últimos quatro anos, a quantidade de pousadas na cidade histórica subiu de 110 para 170. Algumas têm recebido mais de R$ 100 mil em melhorias para atrair os esperados torcedores estrangeiros que passarão por Brasília durante o torneio de futebol, entre 12 de junho e 13 de julho próximos. A capital do país é uma das 12 cidades sedes do evento e abrigará sete jogos entre seleções. Com o aumento crescente da demanda e a pequena quantidade de imóveis disponíveis na área central, tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Pirenópolis vê os seus casarões cada vez mais valorizados. O setor imobiliário registra um crescimento anual médio de 15% no principal destino turístico dos candangos. Dessa forma, chácaras e fazendas estão sendo loteados para se transformarem em condomínios residenciais de luxo. Já no centro histórico, onde se concentram os atrativos turísticos, os valores dos 12 casarões centenários à venda vão de R$ 800 mil a R$ 1,8 milhão, mesmo com todos precisando de grandes reformas. Os poucos lotes restantes na área tombada, de 360 metros quadrados cada, são anunciados por R$ 80 mil, em média. “Aqui perto, em Corumbá (a 22km), terrenos iguais valem R$ 15 mil, enquanto casarões são vendidos por, no máximo, R$ 500 mil”, conta Leandro Jorge de Oliveira, delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) em Pirenópolis. Dono de uma das mais antigas imobiliárias pirenopolinas, ele anuncia cinco dos 12 casarões históricos à venda e tem brasilienses como principais clientes. “São servidores públicos, juízes, profissionais liberais. Gente com R$ 35 mil de renda, algo impensável para um trabalhador goiano. Ano passado, por exemplo, vendi um casarão por R$ 1 milhão a uma médica de Brasília. Ela gastou uns R$ 100 mil em reformas e só aparece aqui em um fim de semana ou outro. É uma casa de veraneio”, revela. Ele também vende lofts de 50m², a R$ 250 mil, em um condomínio fora do centro, ainda em construção. Bebidas importadas Há quem compre ou alugue casarões para negócios voltados ao turismo. Com 278 anos, a mais antiga residência de Pirenópolis, ao lado da Igreja Matriz e sob locação, passou por uma restauração para abrigar o primeiro bar e restaurante no conceito lounge do município e da região, inaugurado sexta-feira última. O investimento, de R$ 170 mil, visa principalmente os turistas da Copa do Mundo. “Pensamos em tudo para agradar ao turista estrangeiro e os moradores de Brasília e de Pirenópolis com gostos mais refinados”, ressalta o brasiliense Bruno Ribeiro, 23 anos, dono da casa noturna. O lounge oferece cervejas importadas e brasileiras produzidas de forma artesanal, vinhos chilenos e espanhóis e legítimas champanhes francesas, além de música ao vivo, que inclui o sertanejo nas noites de quinta, o jazz nas sextas, a eletrônica aos sábados e o samba aos domingos. Os artistas vão se apresentar em um palco, montado no que era o quintal do casarão, onde também haverá um telão de alta definição, para exibição das partidas da Copa. Quem tiver ingresso para qualquer jogo em qualquer estádio ganhará caipirinhas. Bruno é filho de Geovani e Maristela Ribeiro, moradores do Lago Sul e donos da Pousada Villa do Comendador Eco-Resort, uma das mais sofisticadas hospedarias de Pirenópolis. E, como o filho, o casal aposta alto na Copa. Tanto que já gastou R$ 150 mil em melhorias na pousada, nos últimos meses. Entre outras coisas, o investimento inclui a compra de um gerador — em função das constantes quedas de energia elétrica na cidade — e uma piscina com água quente, de R$ 100 mil. “Quando soubemos que os europeus adoram uma água quente, mandamos fazer essa”, destaca Geovani. Também para atender os europeus e outros estrangeiros, Geovani e Maristela construíram um bar para oferecer só espumantes e drinques mais elaborados, à beira da antiga piscina, e pagaram aulas de inglês aos seus chefs de cozinha e alguns garçons. “A Copa é uma oportunidade para aprimorarmos conhecimentos”, comenta Rodolfo Randes, 22 anos, formado em gastronomia pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e um dos três chefes da Villa do Comendador. Ainda por causa do mundial, a pousada contratou mais gente. Só de garçons, passou de 10 para 15. Gastança Dos 150 mil turistas que visitam a cidade goiana todo ano, 60% moram no DF. Cada brasiliense gasta, em média, R$ 200 por dia de hospedagem em Pirenópolis, segundo estudo da Secretaria de Turismo do município. Ensino público Os moradores de Pirenópolis têm a oportunidade de fazer faculdade em uma instituição pública. A cidade conta com uma unidade da UEG, que oferece os cursos de tecnologia em gastronomia e tecnologia em gestão de turismo. Diárias com preços abusivos Os diretores da Secretaria de Turismo de Pirenópolis têm feito reuniões com empresários do setor para tentar frear a alta de preços das diárias nas pousadas durante a Copa do Mundo. “Temos conversado bastante com o empresariado, mostrando que o foco não deve ser só um período. Queremos um tarifário não abusivo, para que o turista volte. Mas, claro, o poder público não pode ditar o mercado”, observa o secretário de Turismo, Sérgio Rady. Pesquisando sites de reservas de hospedagem, é possível encontrar diárias para o mês do mundial no mesmo valor da alta temporada (janeiro, carnaval, julho e dezembro). Mas algumas pousadas cobram o dobro, chegando a R$ 500 um quarto duplo simples. » Renato Alves
Fonte: Correio Braziliense / DF


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