Artigo: O Ensino Médio: mudança irreversível, por Jose Clovis de Azevedo

03/01/2014 - Artigo: O Ensino Médio: mudança irreversível, por Jose Clovis de Azevedo No dia 21 de dezembro, o jornal Zero Hora publicou uma extensa reportagem que avalia o funcionamento do Ensino Médio em uma das turmas do Colégio Estadual Júlio de Castilhos (em Santana-RS), o tradicional Julinho. Na ocasião, procurado pelo veículo de comunicação, declarei que a grave situação da escola consiste em um caso isolado em que está em questão o compromisso com a gestão pública. Várias interpretações sobre a minha declaração foram divulgadas a partir de então. A expressão “caso isolado” refere-se aos indícios revelados pela reportagem de que os alunos do Julinho não tiveram assegurados os 200 dias letivos e a 1 mil horas/aula conforme a legislação; que a reposição dos dias paralisados não foi feita conforme as exigências legais; e que a mudança curricular orientada pelas diretrizes do Conselho Nacional de Educação não foi sequer implantada na escola, tendo, inclusive, a escola se negado a aderir ao projeto do Ensino Médio Inovador do MEC, deixando de receber R$ 100 mil para aplicar em benefício dos alunos. Isso se configura como uma situação de singular gravidade. Não vi a manifestação do coordenador do Grêmio do Julinho sobre esses prejuízos aos seus colegas. Outra coisa é a análise das contradições, dos avanços e dificuldades na implantação das mudanças do Ensino Médio. Este é um processo em andamento que visa justamente superar os fatores que levaram a Educação gaúcha a uma curva descendente nas últimas décadas. É importante ressaltar que das mais de 1.060 escolas de Ensino Médio, a ampla maioria está fazendo um grande esforço para que as mudanças se efetivem. As resistências são normais num processo de mudanças. Mas elas são mais evidentes em núcleos ideológicos conhecidos, desde a autodenominada “esquerda radical” até o conservadorismo tradicional, ambos convergindo na defesa da classificação, da seleção e da manutenção da expulsão de um terço dos jovens pela não aprendizagem. Em 2011 encontramos uma rede sucateada com mais de mil processos de obras emergenciais parados, alguns com data de 2003. Encontramos um currículo que não dialogava com as necessidades e a realidade da juventude do século 21, especialmente no Ensino Médio. A partir deste diagnóstico iniciamos um processo de reversão dos problemas historicamente acumulados. Os investimentos em formação em serviço de professores somam aproximadamente R$ 50 milhões em três anos; foram já distribuídos para alunos e professores 100 mil computadores e realizadas mais de 1,8 mil obras em escolas com investimentos de aproximadamente R$ 300 milhões. São ações concretas de um novo momento da Educação estadual. Em três anos investimos mais do que nos oito anos que nos antecederam e retomamos uma curva ascendente na educação estadual gaúcha. Jose Clovis de Azevedo, Secretário de Estado da Educação
Fonte: Jusclip - BLOG


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