Empresas precisam melhorar fluência digital, acredita IBM

Falar em transformação digital virou algo comum. Mas o que de fato tem sido feito? As corporações realmente compreenderam a complexidade do momento e estão realizando projetos estruturais? Para líderes da IBM Brasil, embora muita coisa boa tenha acontecido, ainda existe um gap importante de conhecimento, que faz com que diversas empresas invistam em iniciativas isoladas e sem conexão umas com as outras o que, num futuro próximo, acarretará num “legado digital e não levará à uma transformação digital plena”, como afirmou Tonny Martins (foto), presidente da IBM Brasil.

Na visão do executivo, em diversos países, inclusive no Brasil, a falta de fluência digital do corpo diretivo tem sido um complicador nos projetos de transformação. “O que vemos em muitas ocasiões é um conhecimento raso e é preciso fluência em temas como inteligência artificial, por exemplo. As empresas precisam educar os boards”, comentou o executivo. Sobre o Brasil, especificamente, ele entende que, embora existam vários projetos interessantes como o da escola de negócios Saint Paul, do Banco Bradesco e do Fleury, com Watson, há um grande espaço para melhorar, mesmo nas grandes empresas e que, até internamente na IBM, isso tem sido estimulado. “Quando as empresas realmente estiverem educadas nesse novo contexto, elas irão se beneficiar muito.”

Como lembrou Martins, essa fluência digital a que ele se refere não significa programar ou codificar, mesmo alguém com formação em humanas pode ser fluente em assuntos como computação cognitiva para, junto com a equipe técnica, definir rumos de um projeto ou mesmo compreender como e onde determinada tecnologia traria mais impacto ao negócio. Sem essa educação, alertou, “a tendência é ter ações isoladas e achar que é digital, com uma visão apenas de custo e de curto prazo”.

Ao longo de 2018, a IBM entende ter desempenhado papel fundamental nesse sentido, com participação efetiva na maioria dos projetos de transformação digital e uso de inteligência artificial no Brasil e isso não falando apenas de grandes empresas, mas de PME e startups, algo que o investimento diferente no ecossistema permitiu. “O grande ponto do nosso trabalho é ajudar a entender como fazer a transformação acontecer. O digital deu voz para o consumidor, mas não adianta apenas criar um canal de diálogo, é preciso repensar tudo”, explicou Ricardo Barbosa, vice-presidente de estratégia digital da IBM para América Latina.

Formando na base

Como parte desse trabalho de levar fluência digital para o mercado, a IBM fechou uma parceria com o Centro Paula Souza para trazer ao País o modelo educacional batizado de P-Tech, que visa a fomentar o desenvolvimento de competência ligadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática, deixando os estudantes preparados para o novo contexto digital. Ainda em fase piloto, serão formadas duas turmas de 40 alunos cada, sendo uma na unidade de Americana, interior de São Paulo, e outra em uma unidade localizada na Zona Leste da cidade de São Paulo.

O modelo permite ao estudante, num programa de cinco anos, ter acesso a três diplomas: ensino médio, técnico e superior tecnólogo, além disso, o objetivo é fazer uma conexão entre três grandes pontas: demanda de mercado, ensino médio e superior. A lógica é simples, entende-se as carências do mercado, forma-se os estudantes em disciplinas que preencham essa lacuna e promovem-se parcerias para empregar esses profissionais. Vale ressaltar, no entanto, que não existe um compromisso de contratação, mas, a tendência é que boa parte das pessoas sejam aproveitadas.

“Nossa meta é ampliar o programa o máximo possível por meio do nosso ecossistema. Quando melhor formos nesse início, mais fácil será escalar com os parceiros. O programa leva fluência digital de maneira escalável e prepara para o mercado de trabalho mesmo antes do ensino superior.


Fonte: https://computerworld.com.br/2018/12/05/empresas-precisam-melhorar-fluencia-digital-acredita-ibm/


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