Quem são os principais cotados para o Ministério da Educação

Quatro nomes já foram anunciados para assumir ministérios no governo de Jair Bolsonaro. A indicação para Educação ainda não saiu, mas já se fala em seis possíveis candidatos 

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) já definiu a liderança de quatro ministérios: Paulo Guedes (Economia), Augusto Heleno (Defesa), Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia). Este último ministério, passa também a ser responsável pela Educação Superior na nova gestão. Com isso, o atual Ministério da Educação (MEC) deverá passar por reestruturações. A mudança deverá trazer a responsabilidade de chefiar as áreas de Cultura e Esporte, segundo assessores de Bolsonaro. A questão é qual será o perfil escolhido para cuidar dessa área, apontada pelo presidente como uma de suas principais preocupações? Conheça os principais candidatos cotados para o cargo: Stavros Xanthopoylos

Consultor em Educação de Jair Bolsonaro, Stavros é membro da diretoria de relações internacionais da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), já tendo ocupado o cargo de vice-presidente. Há 24 anos atua com Educação a Distância (EaD) para graduação e pós-graduação. Foi vice-diretor do Instituto de Desenvolvimento Educacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor executivo do FGV Online. Graduado e mestre em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo (USP), possui também doutorado em Filosofia e Administração. É fundador e CEO da SPX Consultoria Educacional, especializada em soluções educacionais online. Foi eleito Personalidade Educacional de 2011, 2013 e 2014, título concedido pela Associação Brasileira de Educação, pela Associação Brasileira de Imprensa e pelo jornal Folha Dirigida. Além do EaD, outra posição que compartilha com o governo eleito é o sistema de cotas, do qual é opositor.

Ricardo Velez Rodriguez

Colombiano, é coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Também coordenou o Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos, o Núcleo Tocqueville-Aron de Estudos sobre as Democracias Contemporâneas e o Núcleo de Cosmologia e Filosofia da Ciência. É professor associado aposentado da UFRJ e professor emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME). Já trabalhou na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e na Universidad Pontificia Bolivariana, na Colômbia. É membro do conselho consultivo da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), do Instituto de Geografia e História Militar, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Brasileira de Filosofia. Autor de “Da Guerra à Pacificação”, “O Patrimonialismo Brasileiro em Foco” e “A Grande Mentira - Lula e o Patrimonialismo Petista”. Ricardo também é mestre e doutor em Filosofia. Na área, atua em temas como filosofia brasileira, pensamento brasileiro e moral social. 

Aléssio Ribeiro Souto

Integrante da equipe de Bolsonaro, o general esteve à frente da formulação de propostas de Bolsonaro na área de Educação. Formado pela Academia das Agulhas Negras e pelo Instituto Militar de Engenharia, em que possui mestrado em Ciências e Engenharia de Sistemas, com foco em Inteligência Artificial e Sistemas Especialistas para diagnóstico de pane de sistemas complexos. Foi assessor do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, chefe do Centro Tecnológico do Exército (CTEX)e consultor na implantação de Polo Tecnológico na SABER Consultoria.

Como ajudou a desenhar as propostas para a área, é um forte defensor de combater a “doutrinação” nas escolas, além de evitar que questões como gênero e sexualidade sejam transmitidas na escola, sob justificativa de que este seria um direito dos pais. Defende também que haja revisão nos currículos e materiais didáticos – que estão sendo debatidos e atualizados para o Ensino Fundamental desde a aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em 2017.

Miguel Nagib

Advogado, trabalha como procurador do Estado de São Paulo desde 1985. Foi assessor no Supremo Tribunal Federal (STF) e é conhecido por ser fundador e coordenador do Movimento Escola Sem Partido (ESP). O projeto nasceu em 2004 e prega uma escola “livre de doutrinação”. É autor de artigos que defendem as bandeiras do movimento, como “Liberdade de ensinar não se confunde com a liberdade de expressão” e “Professor não tem direito de ‘fazer a cabeça’ de aluno”. O combate à “doutrinação” é uma das principais bandeiras de Jair Bolsonaro para a Educação.

Mendonça Filho

Ex-ministro da Educação, Mendonça ocupou a pasta durante aproximadamente dois anos do governo de Michel Temer. Ele deixou o cargo para concorrer a uma vaga no Senado por Pernambuco pelo DEM, mas não foi eleito. Anteriormente, ele teve três mandatos como deputado federal, duas vezes vice-governador de Pernambuco e governador de Pernambuco em 2006, durante a licença do governador Jarbas Vasconcelos. Formado em administração de empresas pela Universidade de Pernambuco (UPE) e fez curso de Gestão Pública na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Durante seus mandatos, propôs a ampliação do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), ampliou o programa de escolas de tempo integral de Pernambuco, expandiu o Ensino Técnico e criou o projeto Jovem Campeão, voltado à prática esportiva nas escolas públicas. Como ministro, Mendonça aprovou políticas que estabelecem mudanças estruturais na Educação Básica, com a Reforma do Ensino Médio, Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para Educação Infantil e Ensino Médio e se pronunciou publicamente contrário ao projeto do Escola Sem Partido.

Maria Inês Fini

Presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), possui longa trajetória nas políticas educacionais. Entre 1996 e 2002, ela trabalhou no Inep liderando a Diretoria de Avaliação para Certificação de Competências e o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) dentro do instituto. Além disso, também participou da criação e implementação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Pedagoga, psicóloga e especialista em currículo e avaliação, Maria Inês é fundadora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi filiada ao PSDB. Não se identifica com projetos como o Escola sem Partido, uma das bandeiras do governo Bolsonaro, o que enfraqueceria sua indicação.Durante coletiva de imprensa para a divulgação do Enem, Maria Inês foi questionada sobre o eventual convite para o novo governo. Ela preferiu não comentar o tema. No mesmo dia, em publicação no Twitter, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) fez referência à prova de Linguagens e suas Tecnologias do Enem, que trouxe temas atuais, como racismo, comunidade LGBTI+, feminicídio e manipulação pelo uso de dados na internet. O tweet do filho do presidente soou como uma “indireta” à indicação da presidente do Inep, dizendo que não seria “requisito para ser ministro da Educação saber sobre dicionário dos travestis ou feminismo”.


Fonte: https://novaescola.org.br/conteudo/13211/quem-sao-os-principais-cotados-para-o-ministerio-da-educacao


Comentários da notícia